domingo, 19 de outubro de 2014

Sobre barracas


Seja para alta montanha ou para um camping na praia, elas estão sempre presentes nos abrigando das tempestades ou do sol escaldante. Nos dias de chuva contínua uma boa barraca é a garantia de equipamentos secos e noites bem dormidas. Neste artigo tentamos fornecer alguns detalhes e informações que poderão ajudar na hora da escolha da barraca ideal.


Modelos:

Vários são os modelos de barracas que encontramos no mercado, cada qual com seus pontos fortes e fracos, cabe a cada um escolher aquele que melhor lhe atenda. Abaixo separamos alguns modelos mais indicados para excursionismo.

Canadense:

Barraca em formato triangular, têm pouco espaço interno se comparada com os outros modelos além de ser muito pesada devido a sua armação que geralmente é feita de aço. Foi muito utilizada antigamente mas atualmente está sendo substituída pela barraca iglu.


Iglu:

Bem conhecido hoje em dia, este modelo em formato de iglu é constituído basicamente por duas varetas que se cruzam e que mantém a barraca armada mesmo ser estar especada, também têm boa resistência ao vento e não é tão pesada quanto as barracas canadenses.

Tubular:

Barraca em formato de túnel, bastante resistente ao vento e leve devido sua estrutura ser composta apenas de varetas curvadas, possuí bom espaço interno. Diferentes das barracas Iglu as tubulares tem que ser especadas para que fiquem armadas.





Geodésica:

Barraca semelhante a Iglu mas com a disposição das varetas diferente para melhorar a resistência aos fortes ventos de montanha, normalmente são compostas de três varetas ou mais de alumínio 7075.


Armação por Polos:

Este modelo não muito difundido aqui no Brasil é constituído basicamente por um teto de nylon que é sustentado por bastões de caminhada ou amarrado em árvores, alguns modelos possuem um piso opcional que pode ser adquirido separadamente. Ótimo para quem procura proteção e leveza. Este modelo é comercializado no Brasil pela Black Diamond.


Condensação:

Este fenômeno acontece em quase todos os tipos de barracas, da mesma forma que acontece no banheiro quando tomamos banho quente e o vapor se condensa ao encontrar o azulejo frio acontece com a nossa respiração e com a transpiração do corpo que aquecem o ar no interior da barraca e o mesmo ao encontrar a superfície gelada do nylon se condensa. O problema da condensação é onde ela ocorre, nas barracas com sobre-teto total a condensação ocorre no sobre-teto escorrendo para o chão e não para o interior da barraca, diferente das barracas sem sobre-teto onde a condensação acontece no nylon interno e escorre diretamente para o piso da barraca molhando os equipamentos e roupas que ali estiverem.A ventilação também é fator importante pois quanto melhor for a troca de ar menor será a possibilidade de ocorrer condensação.

Características:
Existem algumas características que variam dependendo do modelo de barraca e do fabricante, abaixo estão listadas as principais:

Varetas:
São a estrutura da barraca, geralmente são conectadas internamente por um elástico que facilita na montagem e desmontagem, normalmente são feitas de fibra de vidro oca ou de tubos de alumínio aeronáutico:

Fibra de Vidro:
Mais barata que a de alumínio porém mais pesada e frágil. É indicada para camping convencional onde as condições climáticas não são tão exigentes.·

Alumínio:
Feita de tubo de alumínio extrudado 7075 é mais leve e resistente que a fibra, ideal para situações de ventos fortes, neve e onde o peso faz diferença como em longas caminhadas ou escaladas de alta montanha.

Costuras Seladas:

Garantem a impermeabilidade das costuras e protegem as linhas por mais tempo.





Nylon Rip-Stop:

Trata-se de um tipo de nylon que se por ventura for perfurado impede que o rasgo aumente inutilizando a barraca, utilizado por poucos fabricantes de barracas nacionais.




Barracas sem Sobre-Teto:

As barracas são constituídas pelo corpo e pelo sobre-teto, em algumas barracas o corpo é praticamente todo em nylon impermeável com uma pequena parte de tela na porta e no topo da barraca e o com um pequeno teto de nylon que cobre apenas a parte de tela do topo. Neste modelo a condensação é comum pois a ventilação não é eficiente. Hoje em dia existem alguns fabricantes internacionais que produzem este tipo de barraca com tela apenas na porta, sendo o corpo todo de tecido especial impermeável e respirável eliminando o problema da condensação. A vantagem deste modelo é a leveza devido a pouca quantidade de pano.

Barracas com Sobre-Teto:

Nas barracas que possuem o corpo de tela ou nylon respirável e sobre-teto de nylon impermeável o problema da condensação é quase nulo (podendo ocorrer no piso) pois é criada uma camada de ar entre o sobre-teto e o corpo, melhorando a circulação de ar e também possibilitando que a condensação ocorra no sobre-teto e escorra para o chão e não para o piso da barraca. A distância que o sobre-teto fica do chão faz diferença, quanto maior a distância maior é a ventilação, para climas frios é aconselhável que o sobre-teto fique próximo ao chão mantendo assim o ar quente no interior da barraca.

Coluna d'água:

Hoje em dia alguns fabricantes têm fornecido um valor para a impermeabilização do tecido, esse valor é resultado de um teste em coluna d'água e quanto mais alto mais forte é a impermeabilização, esse valor é especificado em milímetros, por exemplo: 1500mm. Valores entre 1000 e 1500 são suficientes para o clima brasileiro.

Tirantes:

São pontos de reforço laterais que servem para dar mais estabilidade a barraca nos dias de ventania ou em temporais.





Tomadas de ar:


Ajudam na ventilação da barraca e podem ser fechadas se necessário.







Avanço ou Avancê:

Trata-se de uma área útil onde podemos deixar mochilas, botas, materiais de cozinha, etc ou utilizarmos de cozinha em dias de chuva.




Cantos Reforçados:

Os cantos são pontos de grande pressão nas barracas e alguns fabricantes procuram reforçar estas áreas.






Sobre-teto Aluminizado:

Alguns fabricantes costumam tratar o sobre-teto com um pigmento aluminizado para melhorar o isolamento térmico, segundo testes esta pigmentação pode reduzir a temperatura interna em até 7ºC nos dias de sol forte.




Saia:

Atualmente as barracas voltadas para neve vem acompanhadas com uma saia que pode ser enterrada na neve para impedir a ação dos fortes ventos e manter o ar quente no interior da barraca.





Como Transportar sua Barraca:

Geralmente as barracas vêm acompanhadas de uma sacolinha de transporte que é muito útil quando vamos acampar de carro ou quando não vamos nos locomover muito, mas quando surge a necessidade de acondicionarmos a barraca na mochila a sacolinha torna-se dispensável e a barraca pode ser dividida pela mochila. As varetas podem ir no lado de fora da mochila, na posição vertical enfiadas no bolso lateral inferior e presas nas fitas de compactação. O teto e o sobre-teto podem ser colocados no fundo da mochila com os espeques.

Estações:

Na América do Norte eles costumam definir as barracas por três estações ou quatro estações, uma barraca três estações é projetada para ser usada na primavera, verão e outono mas não é suficiente para agüentar uma tempestade de inverno, sendo então necessário uma quatro estações. Lembrando que estas estações estão relacionadas ao clima de lá.

Antes de comprar sua barraca verifique os seguintes fatores:

· Para qual atividade e para quantas pessoas será usada a barraca.
· Qual é o clima do local onde será usada a barraca.
· Peso e volume
· Espaço Interno
· Ventilação · Facilidade para armar

Como Conservar sua Barraca:

· Nunca guarde sua barraca molhada ou úmida, isso pode causar mofo e inutilizar sua barraca.
· Procure não entrar com sapatos ou botas no interior barraca, evitando rasgos e sujeira.
· Procure sempre retirar pedras e galhos do terreno onde será armada a barraca; além do desconforto causado durante a noite podem perfurar o piso da barraca;
· Não utilize chamas dentro da barraca.
· Areia e sujeira podem causar sérios danos nos zíperes, mantenha-os sempre limpos, uma escova de dente é uma boa ajuda na hora da limpeza.
· Apesar de alguns fabricantes utilizarem um tipo de protetor solar nos tecidos a exposição prolongada da barraca ao sol e conseqüentemente aos raios UV altera a cor do tecido e degrada o tratamento impermeabilizante, esse efeito pode ser minimizado armando a barraca em lugares com sombra ou onde não bata sol o dia todo.
· Lave a barraca apenas com água e sabão neutro.


Dicas:

· Caso a barraca seja nova, monte-a em casa antes de ir para o campo evitando problemas inesperados.
· Antes de desmontar a barraca feche os zíperes, isso facilita bastante quando for dobra-la.
· Algumas pessoas têm o hábito de cavar canaletas em volta da barraca para drenagem da água de chuva, esta prática está obsoleta pois degrada o local e traz sérias conseqüências para o terreno.
· Procure um terreno plano, terrenos inclinados causam desconforto durante a noite e podem ser passagem de água em caso de chuva, observe também se não há risco de alagamento.
· Monte a barraca no sentido do vento, isto ajuda a manter a estabilidade da mesma.
· Com o tempo a barraca pode perder um pouco da impermeabilização exigindo que o tecido seja tratado novamente, existem no mercado produtos para esta finalidade tais como NIKWAX, 3M, etc.
· Mantenha a barraca bem esticada evitando que o sobre-teto encoste no corpo e molhe o interior.

Marcelo Ney Wood http://azimutantes.blogspot.com.br/search/label/barracas

Tudo o que você sempre quis saber sobre mosquetões

Mosquetões... Junto com as sapatilhas são os ítens que eu gosto mais! (foto: E. Frechou)
Sempre que alguém me pergunta que mosquetão comprar, eu penso em dizer aquela velha história: Primeiro depende de pra quê você vai usá-lo. Mas aí eu penso nos preços absurdos e abusivos praticados no mercado brasileiro, e acabo sempre recomendando o mais barato mesmo. Mas dentre os mais baratos, claro, há diversas categorias. Independentemente do preço, os mosquetões são classificados de acordo com seu formato e trava do gatilho, basicamente. Os mais comuns são mosquetões em formato D, HMS (ou pêra), e oval. O resto pode-se considerar variações desses 3 tipos. Eles são fabricados em 2 tipos de materiais: em Aço e em Alumínio. Os de aço são utilizados por empresas, e são destinados a atividades de trabalho em altura, ou onde possa haver contato com cabos de aço (tirolesas por exemplo) e não são utilizados para escalada devido a seu peso elevado ( 50 ou 100g a mais pode não ser nada para um mosquetão, mas pense em 24 mosquetões em 12 costuras, e estamos falando de carregar pra cima 2,5kg desnecessariamente na pior das hipóteses) , apesar de possuírem resistência maior.  Resta-nos portanto, os mosquetões de Alumínio. Os mosquetões de alumínio podem ser divididos em mais duas categorias, de acordo com a liga com que são fabricados, sendo os mais comuns os de Duralumínio (dural). Esta liga é a mesma utilizada na fuzelagem de aviões. Estes são os mosquetões “normais” que você sempre vê com as pessoas nos picos de escalada. Há outra liga, pouco menos comum, e mais indicada para o uso em espeleologia, que é  conhecida como Zicral, a qual teoricamente apresentaria maior resistência à abrasão, que é um dos imperativos nas práticas espeleológicas. Entre os mosquetões de escalada, ou seja, os de Duralumínio, podemos definir as 3 categorias da seguinte forma:

Formato D

Mosquetão D assimétrico com trava de rosca
Normalmente são os menos caros. Normalmente possuem esse formato para propiciar o melhor assentamento do mosquetão em chapeletas e/ou grampos. O formato D também apresenta uma geometria matematicamente calculada que propicia maior resistência do que os mínimos estabelecidos pelas entidades certificadoras ao mosquetão, o que acarreta em mosquetões menores e consquentemente mais leves, mas com a resistência ainda superior aos padrões internacionais. Há quem os classifique como “D” simétricos e assimétricos, mas ultimamente o importante, a saber, é que eles são os mais indicados para uso em Solteiras e como os mosquetões que vão em contato com a chapeleta em uma parada equalizada. Os mosquetões das costuras também apresentam esse formato, porém, não apresentam trava de segurança no gatilho, para facilitar sua colocação e remoção durante a escalada.

Formato HMS (ou pêra)

Mosquetão Pêra (HMS) com trava de rosca
Esses são os mosquetões utilizados como “mosquetão mestre” em uma parada equalizada, e, por convenção, não são colocados em contato com proteções fixas (chapeletas). Há uma regra que diz que mosquetões que são postos em contato com chapeletas não são colocados em contato com cordas e fitas. Isso porque ao entrar em contato com chapeletas, o mosquetão pode sofrer pequenos desgastes ou ranhuras, e em certos casos, soltar alguma farpa, o que em caso de alguma queda, pode vir a rasgar a capa de sua corda (por isso suas costuras devem sempre ser utilizadas com o mosquetão reto para cima e o curvo para baixo, por onde se vai passar a corda). Este tipo de mosquetão também é o mais indicado para o uso com equipamentos de segurança, como ATC’s, tanto para assegurar um escalador, quanto para rapelar de uma via. O formato Pera assegura que um dos lados (de cima) do mosquetão, seja largo o suficiente para propiciar que nele seja feito um meia volta do fiel duplo adequadamente, o que, em caso de perda do freio durante uma escalada mais longa pode vir muito a calhar. O nome HMS deriva do alemão e quer dizer basicamente Mosquetão para Meia volta do Fiel.

Mosquetão Oval

Mosquetão Oval com trava de Rosca
Os mosquetões ovais não são muito comuns, mas são muito importantes, principalmente nas escaladas clássicas e nos artificiais. Por seu formato simétrico, são excelentes para carregar nuts e outras peças móveis com cabo de aço, pois é possível girar as peças no mosquetão livremente com uma só mão enquanto se busca por uma peça específica. Nos artificiais são especialmente cômodos para manusear Cliffs, estribos, e também para serem colocados em pítons e outros tipos de proteção característica deste tipo de escalada. São muito práticos e em muitas situações substituem tranquilamente qualquer um dos outros dois tipos de mosquetões, sendo considerados muitas vezes, como mosquetões “coringas”.

Travas do gatilho

Mosquetão D ligeiramente assimétrico com trava automática (twist lock)
Quando eu comecei a escalar eu tinha um mosquetão antigo com a rosca quebrada. Um belo dia durante uma escalada havia utilizado todos os outros mosquetões, e este sobrara para minha solteira. Eis que no meio daquela teia de aranha que só na minha cabeça e na dos outros dois que escalavam comigo era uma parada equalizada, eu reparo que uma fita (provavelmente a solteira de um dos dois) mantinha meu mosquetão aberto. Como iniciante para mim aquilo foi bem espantoso, e desde esse dia aprendi pra que serve a trava de um mosquetão. E aquele mosquetão em especial virou mosquetão de carregar equipamentos na mochila apenas.
Existem basicamente 2 tipos de trava. A trava com rosca, a mais comum, não tem muito segredo. Você rosqueia a trava e ela impede que o mosquetão se abra. Você desrosqueia, isso permite que o gatilho se abra. O outro tipo é o mosquetão de trava automática. Dependendo da marca podem ser de vários tipos, mas praticamente o que vamos encontrar são os chamados Twist-lock: é necessário girar a trava do mosquetão enquanto se força para abrir o gatilho. Em alguns modelos é necessário apertar algo mais, mas basicamente é isso. E recentemente a Black Diamond inovou lançando no mercado (na verdade ainda não foi lançado no mercado) o chamado Magnetron, que é um mosquetão de trava automática, porém com fecho magnético, como o próprio nome já indica.
A nova trava de gatilho da BD

Tipos de Gatilho

Até 1 ano atrás, as pessoas só conheciam 2 tipos de gatilhos: o Gatilho “normal”, e o gatilho de arame (wiregate). Em 2011 a Petzl inovou colocando à disposição das pessoas um mosquetão de costura novo, com um novo tipo de gatilho, que é mais uma derivação do gatilho de arame tradicional, do que uma inovação propriamente dita. Praticamente todos os mosquetões que não sejam de costura, possuem o gatilho “normal”.
Este é o mosquetão da DMM sem nariz, com gatilho de arame
Os gatilhos de arame são utilizados unicamente em mosquetões de costura “D” ou em mosquetões Ovais. Eles foram introduzidos lentamente e pouco a pouco vem ganhando o mercado por possuir muitas vantagens. Acabam propiciando mosquetões mais leves, são simples, mais “molinhos” para costurar do que gatilhos normais, e por não possuir molas ou engrenagens, não acumulam sujeira que com o tempo pode vir a comprometer o funcionamento do gatilho normal. Também por um gatilho de arame ser muito mais leve que um “normal”, quando um mosquetão de arame sofre um impacto, o arame não sofre aceleração pela inércia do impacto, e não se abre, nem por uma fração de segundo, o que ocorre com o gatilho “normal”. (VER VÍDEO) O lado negativo do mosquetão de arame é que até o ano passado 95% dos modelos encontrados no mercado internacional (e 100% no nacional) apresentavam o chamado “NARIZ”.  Até 2010 os mosquetões de arame sem nariz já existiam: A DMM fabrica um mosquetão com gatilho de arame com um sistema muito curioso mais parecido com os gatilhos de arame, mas que não apresenta Nariz. Só que não houve uma ampla distribuição e divulgação deste sistema. O que a Petzl fez foi criar um terceiro sistema, e divulgá-lo, investindo numa campanha de marketing muito mais intensa que a DMM, cujos mosquetões sem nariz pouca gente ouviu falar.
Mosquetão D, assimétrico, sem trava, com gatilho de arame

Mas o que é esse tal de Nariz?

Mosquetão sem nariz ou sem focinho é uma mão na roda. Bem no lugar onde o gatilho fecha, e encosta no corpo do mosquetão existe uma espécie de trava, para quando o mosquetão sofrer deformação elástica devido a uma carga, essa tensão ser distribuída ao longo de todo o corpo do mosquetão igualitariamente, fazendo-o suportar os tais 22KN quando fechado, e na posição longitudinal (e por isso mesmo quando ABERTO suporta menos de 8kn). Essa trava é normalmente um “dentinho” no corpo do mosquetão que morde o outro “dente” que está no gatilho, fechando o ciclo. Esse dente é o Focinho (ou Nariz) do mosquetão. Quando presente, este focinho enrosca em tudo na hora de tirar o mosquetão de onde ele está e por em outro lugar: Do rack da cadeirinha, do loop, de uma fita porta-materiais… E o mais importante e incômodo: quando se está descendo de uma via tirando as costuras das chapeltas o nariz SEMPRE enrosca na chapeleta, tornando o simples ato de tirar um mosquetão de uma chapeleta uma novela. Principalmente em vias negativas ou com diagonais. Aí é realmente um pé no saco limpar a via com o nariz do mosquetão enroscando nas chapeletas.
Mosquetão HMS com Trava de Rosca, Gatilho Normal.... Com NARIZ "enroscante"
Devido a isso, normalmente os mosquetões de cima das costuras, que são para a chapeleta, possuem gatilho reto e não possuem Nariz. Os mosquetões que não tem nariz possuem um sistema chamado Keylock ou SnagFree (livre de enrosco). A tendência atualmente é que todos os mosquetões já venham com este sistema, principalmente porque com o tempo a patente deste sistema tende a expirar, então a maioria dos fabricantes deve adotar este formato para “o novo nariz” de seus mosquetões. Ainda falando de costuras, os mosquetões debaixo possuem a tendência de ser de arame, pois, mesmo com nariz, este não enrosca tanto na hora de tirar a corda de dentro, não causando tanto estorvo quanto pra ser tirado da chapeleta, e aliviando peso do conjunto.
Mosquetão D assimétrico com gatilho normal, sem trava. Observe que no ponto onde se junta o gatilho com o corpo do mosquetão não há o "Nariz" da figura anterior
Na hora de escolher o mosquetão de suas costuras, portanto, devem-se levar em conta alguns critérios e fatores. Primeiro que o mosquetão de gatilho reto seja sem nariz. Ponto. Para escolher o mosquetão de gatilho curvo (para corda), você deve decidir entre os seguintes parâmetros: Um mosquetão mais leve de arame, com clipada um pouco mais mole, porém com nariz, ou um mosquetão ligeiramente menos leve (nem tenho coragem de dizer “mais pesado” quando estamos falando em 5 ou 6 gramas) porém sem nariz. Leve em conta que alguns mosquetões de gatilho “normal” são tão molinhos para clipar a corda quanto um de arame, ainda que esta não seja a regra.
Costura com o Mosquetão com gatilho reto (de cima) normal e sem nariz, e com o mosquetão de gatilho curvo de arame, e portanto, com nariz (hoje está cada vez mais comum encontrar costuras "mistas" como estas)
Costura tradicional: Gatilhos retos e curvos com gatilho "normal" e sem nariz
Como provavelmente é um amigo seu que vai trazer suas costuras de fora do país e você não vai poder apertar o gatilho pessoalmente pra testar, esse fator fica fora dos critérios de seleção de um mosquetão de costura. A menos que você possa comprar um dos mosquetões mais caros do mercado, é claro, que resolve essa questão: É um dos mais leves da categoria (se não o mais leve), possui clipada molinha, e não tem Nariz. Na hora de decidir qual mosquetão comprar, dê preferencia para os mosquetões sem nariz também, pois é muito mais prático e não enrosca em tudo.
Este é o mosquetão de arame e sem nariz lançado este ano
Quando eu vou ensinar um iniciante sobre mosquetões, a primeira coisa que eu falo normalmente é sobre as resistências, cargas de ruptura e sentidos de utilização e NÃO UTILIZAÇÃO. Considero que quando você entrou no blog já sabia pelo menos que no mosquetão tem coisas escritas, e o que elas significam. Caso não saiba, elas são as certificações internacionais (como UIAA e CE), e as resistências em cada eixo e com gatilho aberto.Você também já deveria saber (ou não né, se for iniciante tudo bem ;D ) que os mosquetões jamais podem sofrer tensões de modo que o torçam, o dobrem e o amassem. E há quem diga que não podem cair de muito alto, mas aí é tema pra outro post do mesmo tamanho desse!
http://enquantoissonaomuitolongedali.wordpress.com/2011/11/22/tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-mosquetoes-mas-nunca-teve-a-quem-perguntar/

Bivacar - Um mal (as vezes) necessário.


Bivacar significa básicamente "estacionar ao ar livre" é uma prática ancestral desenvolvida desde os primórdios da civilização e está intrinsecamente atada a evolução humana. Pode-se dizer que bivacar é uma forma rústica de criar um abrigo se valendo de criatividade e improviso seja com pedras, roupas, cadarços de sapato ou mesmo em abrigos naturais com árvores e reentrâncias de uma rocha por exemplo. Do inglês 'bivy' ou do francês 'bivouac' a palavra bivaque indica a prática do impoviso em pernoitar ou se abrigar nas áreas naturais sem possuir equipamentos específicos de camping.

O bivaque foi durante anos (ou séculos) praticado e divulgado por exploradores, exércitos e mais recentemente também por escoteiros, entretanto os mesmos realizavam o bivaque de uma forma predatória e de alto impacto na Natureza valendo-se indiscriminadamente dos recursos disponíveis para o improviso de abrigos e diversas outras ferramentas úteis aos propósitos de suas atividades, deixando sempre para trás montes de árvores cortadas e vegetação derrubada. Hoje não existe mais desculpas para prática de tal ato, salvo alguma emergência em caso de queda de aeronaves, náufragos ou pessoas perdidas em matas.




Existem infelizmente até os dias de hoje pessoas que praticam o bivaque predatório desconhecendo ou fazendo vista grossa para o fato de que não nos resta muitas áreas de floresta nos dias de hoje, e que é muito fácil obtermos alguns ítens reutilizaveis para a realização de um bivaque sem degradar a natureza, como toldos de nylon, cordins, sacos plásticos, etc.






Na minha opinião o melhor bivaque nos dias de hoje é o do tipo planejado, ou seja, no qual o excursionista leva consigo alguns apetrechos que o permitam improvizar um abrigo em qualquer terreno tais como lonas plásticas, toldos de nylon que serão articulados juntamente com características de algum abrigo natural que o terreno possa proporcionar bem como pedras e vegetação morta, como galhos e folhas. O beneficio principal nessa prática é fazer com que o excursionista diminua drásticamente o peso de sua bagagem, fazendo com que o mesmo tenham maior desempenho ao percorrer uma rota, no caso de um montanhista por exemplo. Isso tudo a custa de um pouco de desconforto pois tudo tem um preço.

Existem também alguns ítens pré-fabricados de bivaques como redes, toldos que viram barracas se acoplados aos bastões de caminhada e também sacos de bivaque que funciona como um casulo onde o montanhista entra juntamemente com seu equipamento e fica protegido das intempéres, veja abaixo alguns modelos de bivaque.

Um bivaque é sempre uma ótima forma de se fazer um excelente programa de índio no melhor dos estilos "perrengue controlado" que eu particularmente ADORO!

Boas escaladas e caminhadas para todos,

André Zancanaro.

Bivaque com rede.

Bivaque aproveitando uma árvore como suporte



Bivaque em abrigo natural


Bivaque hi-teck com abrigo acoplado a bicicleta utilizando uma de suas rodas como suporte.

Saco de bivaque impermeável.
http://azimutantes.blogspot.com.br/2009/04/bivacar-um-mal-as-vezes-necessario.html

sábado, 18 de outubro de 2014

Boca de Lobo


Também chamada de focinho de porco e outros nomes mais, esta é uma laçada bastante simples, mas que economiza um mosquetão na hora de fixar fitas na cadeirinha ou em ancoragens. E é o melhor jeito de pendurar cadarços de bota e outras coisas no varal...
Note que esta laçada é igual ao primeiro passo do prussik (ver em Nós Blocantes), mas não confunda, boca de lobo não é nó blocante e, além disso, não se faz prussik com fitas, usa-se cordim.

© Stefan Semenoff

Nó de Fita


Serve para unir duas pontas de fita (de mesma largura), preparando os arcos de fita usados para várias funções, principalmente ancoragens. Um nó simples é feito, sem torções, com uma ponta da fita. A outra ponta é passada por dentro do primeiro nó da ponta para dentro, formando um nó idêntico "mesclado" ao primeiro. Assim como o nó pescador, deve ser bem tracionado antes de usar.
© Stefan Semenoff

Pescador Duplo


Próprio para unir duas pontas de corda ou cordim com o mesmo diâmetro, este nó é usado principalmente para preparar os arcos de cordim com que fazemos pruciks e outros nós blocantes (ver). Antes de usar devemos tracionar bem o nó para que ele corra tudo o que tem que correr e fique bem travado. E devem ser deixados uns 3 ou 4 cm de pontas sobrando, por segurança.
© Stefan Semenoff

Fiel


O fiel é fácil e rápido de fazer, sendo aplicado sempre que se precisa de um ponto rápido para fixar num mosquetão qualquer parte da corda distante das pontas, com a vantagem de poder ser movimentado com relativa facilidade, bastando para isso afrouxa-lo e mover a corda em torno do mosquetão. com um pouco de treino, pode-se faze-lo com apenas uma mão, diretamente mosquetão.
Mesmo que o nó seja solicitado durante o momento de ajuste (uma queda inesperada, por exemplo), o nó irá travar, correndo apenas o espaço correspondente à folga que tiver sido dada para fazer o ajuste. Por tudo isto, a principal aplicação do fiel é para ancorar o escalador à uma parada pela própria corda de segurança (ver Dando Segurança).
Devido a sua mobilidade, não é aconselhável usar o fiel próximo à ponta da corda, um oito ou uma azelha são mais indicados neste caso. Depois de fazer duas torções na corda, como ao lado, passa-se uma por trás da outra, conforme as setas, resultando em duas torções sobrepostas, por dentro das quais passará o mosquetão.
© Stefan Semenoff