domingo, 5 de outubro de 2014

30 Idéias para apertar o seu passo vertical! (Parte 2)

Parceria

14. O falar é prata, o calar é ouro
Silêncio é ouro. É tentador ficar de conversa na parada, mas você queimará um tempo precioso dando detalhes minuciosos de como passou pelo crux. Mecha-se e deixe a conversa para a caminhada da descida ou pro bar, mais tarde. Esse é um dos items em que mais se perde tempo, sem se dar conta. Já gastei infinitas horas em paradas, tirando infinitas fotos, comendo, checando o visual, etc. Esqueça isso, ou faça isso enquanto faz a seg do parceiro. Não fique desocupado.
Em se tratando de comunicação durante a escalada, independente da forma adotada (fala, gritos, apito, puxões na corda), mantenha-a simples e mínima. Eu não sei o palavreado usado no Brasil, mas aqui fora a coisa é mais ou menos assim:
- Seguro! O líder chegou na parade e se ancorou
– Fora da seg! O seg indica ao líder que ele está livre
(O líder puxa toda a corda até chegar no seg)
- Sou eu! Seg indica que não tem mais corda pra puxar
– Na seg, suba quando pronto Líder indica que o parceiro está na seg e pode escalar
– Escalando! O segundo está subindo
Em um ambiente alpino onde você muitas vezes não pode ver nem ouvir seu parceiro, qualquer coisa além disso irá causar confusão. Limitando-se ao básico você sempre saberá o que está acontecendo, e não irá perder tempo tentando entender o que o outro está dizendo.
Quando o seu parceiro assume a liderança, sua única opção é dar segurança e esperar. Não há porque perguntar como ele está indo, se está muito difícil, se está fácil, ou se ele acha que está seguindo a via correta. Por outro lado, quem se compromete na liderança assume que ou vai pra cima, ou cai. Claro, também pode-se tentar desescalar se a coisa ficar feia, e nesse caso seu parceiro deverá estar atento para o fato da corda estar sobrando cada vez mais, e ir tirando conforme ela afrouxa, mas no geral, como dizem por aqui, “é mandar ou morrer”, e nada irá tornar isso mais rápido ou fácil. Seus gritos apenas irão tirar a concentração do líder.
Gritaria incomoda os outros, incomoda os animais e incomoda toda a natureza. Se as condições não permite o uso de voz, você irá precisar de outra forma de sinalizar. Uma que eu uso frequentemente é puxões na corda. Funciona mais ou menos assim:
(3 puxões do líder) O líder chegou na parade e se ancorou
(3 puxões do segundo) O seg indica ao líder que eles está livre
(O líder puxa toda a corda até chegar no seg)
(3 puxões do segundo) Seg indica que não tem mais corda pra puxar
(3 puxões do líder) Líder indica que o parceiro está na seg e pode escalar
(3 puxões do segundo) O segundo está subindo
Esse sistema funciona bem em vias onde as costuras de proteção não apresentam muita angulação. Nas enfiadas em que o arrasto é muito grande, a energia dos trancos é simplesmente dissipada ao longo da corda. Walkie-talkies podem facilitar nessas situações.
15. Mover-se junto
Esse é uma habilidade que se desenvolve com experiência, então praticar muito em terreno fácil é o ideal. Sua habilidade e confiança irão ditar que tipo de terreno vocês estão preparados para se mover junto, e a natureza do terreno irá influenciar no comprimento de corda entre vocês. Tudo uma questão de compromisso – você nunca estará 100% seguro, mas a idéia é que você estará mais seguro do que se estivesse solando, e mais rápido do que se estivesse escalando proteção por proteção.
A técnica final em mover-se sozinho envolve usar praticamente toda a corda sob terreno técnico, que seria normalmente protegido. Prussics podem ser usados nas costuras alpinas de forma a proteger o segundo caso ele caia, e para prevenir o líder de ser arrancado da parede, caso ele caia. Outros extensores são colocados com moderação enquanto você desafia conservar seu rack e aumentar a distância que podem escalar antes de se reunirem em alguma parada. Essa é uma ótima técnica para se praticar em couloirs que possuam eventuais protuberâncias, porque o arrasto da corda é muito pequeno.
Em ambiente alpino existe situações em que uma simples cordada não é suficiente para permitir que o seu parceiro chegue a parada, ou mesmo pela natureza da rocha as locais que permitem proteção também estão mais acima. Nessas circunstâncias pode ser necessário que o seg seja forçado a mover-se junto com o líder por alguns metros, até que o líder possa-se fazer seguro. Fique atento a esse tipo de situação e planeje como sinalizar isso para o seg, ou você pode se ver precisando de alguns poucos metros de corda e seu parceiro estará lá embaixo encordado na parada, sem ter idéia alguma.
16. A Regra dos 5 Minutos
Esse é uma idéia tirada da escalada em big wall. Em longas cordadas em artificial o líder irá gritar “5 minutos!” qunado ele está a menos de 10 minutos da parade. Isso alerta o seg para se preparar para escalar, vestir a sapata, guardar qualquer tralha que esteja fora da mochila, etc. Embora desnecessário usar esse grito em cordadas curtas, o ideal é que o seg esteja pronto para subir antes mesmo do líder chegar a próxima parada.
17. Guiar em blocos
Em vias longas, considere guiar em blocos. Essa técnica é envolve a mesma pessoa guiar 4 ou 5 cordadas de uma vez, antes de alternar a liderança com o parceiro. Mentalmente, 4 ou 5 blocos são mais fáceis de lidar do que 25 trocas de lider porque
• O líder pode ficar totalmente focado no seu bloco, e o segundo pode relaxar e descansar por algumas horas. O líder pode estudar e prepar-se mentalmente para a próxima cordada, o que pode ajudar à acelerar a navegação. Ninguém fica parado por muito tempo, então ambos se mantêm quentes;
• Se pouco equipamento foi usada durante a cordada, a troca de tralha fica muito rápida porque o segundo apenas precisa passar o que foi recolhido ao invés de ter que passar todo o rack;
• De antemão elaborem um sistema e mantenham-no até o final. O seg vai levar a mochila mais pesada? Quem leva o topo? Vocês vão trocá-lo conforme trocam a liderança? E a comida e água? Vão revesar?
18. Trocando a tralha
Na parada, mntenha a troca de equipamentos rápida e eficiente. Três minutos poupados em cada troca irão poupar uma hora em uma via com 20 cordadas, o que pode ser a diferença entre cervejas na cidade ou a noite sentado na a corda.
Um sistema eficiente pra pendurar o rack ajuda muito, um gear-loop pode ser útil pra passar as peças de um pro outro. O gerenciamento de corda também é crucial, e se você estiver guiando em blocos a corda precisará ser re-rempilhada de forma que a corda que vai para o líder esteja novamente pra cima. Com um pouco de prática (e ajuda de um auto-blocante) você pode começar a re-empilhar a corda assim que o segundo estiver cerca de 5-10m abaixo de você. Quando ele chegar a maior parte da corda estará organizada, com apenas os últimos metros deixados do lado errado e separados em outra pilha.
Quando se sobe alternando a liderança, as transições são o que mais consomem tempo. O objetivo é ter todo o time em sincronia, ambos escaladores trabalhando juntos para manterem-se movendo. Alguma idéias para facilitar:
- Levar uma fita ou um gear-loop. Se cada escalador levar uma fita e utilizá-la para colocar as peças, de maneira organizada, conforme limpa a cordada, ao chegar a parada tudo o que deve ser feito é passar o molho para o líder, que precisa apenas pegar o resto das peças que faltam, ao invés de ter que pegar todas as peças uma a uma.
Se você está de segundo em uma via muito difícil, pode ser interessante deixar as peças clipadas na corda bem perto do seu harness ao invés de gastar seus dedos tentando organizar a peça no rack.
- Dividir e compartilhar. Trocar de blocantes com o seu parceiro salva tempo em não precisar clipá-lo a ancoragem. Isso funciona melhor se você estiver dando seg de um auto-blocante (reverso, atc guide, …) clipado num ponto central fora do seu harness. Quando o segundo chegar na parada, trave a corda no blocante com um azelha (faça um backup, como por exemplo clipar uma costura entre a “orelha” do nó) por exemplo, e enquanto seu parceiro organiza o rack, pegue o atc/reverso dele e coloque-o novamente em seg a partir do seu loop da cadeirinha. Bloqueie seu novo atc, e agora você pode desfazer o nó e retirar o primeiro reverso/atc e entregar de volta a seu parceiro antes que ele comece a subir.
19. Navegação
Adote um senso comum quando estiver procurando a rota. Por exemplo, aqui na Inglaterra os guidebooks são ultra detalhados, descrevendo cada metro da via. Os guias dos Alpes, pelo contrário, podem acomodar em um único parágrafo um quilômetro vertical inteiro, então é importante que você interprete isso corretamente. Use a informação para guiá-lo, mas esteja pronto para dar um passo para trás e perguntar-se “se essa fosse a minha via, por onde eu seguiria?”. Isso quase sempre resolve problemas de navegação, e se não, não hesite em olhar mais atenciosamente antes de comprometer-se. Cinco minutos de exploração podem salvar horas de tempo perdido lutando com a linha errada.
20. O caminho traçado apenas conduz pra onde foram os outros
Especialmente durante a alta temporada, as chances de você estar compartilhando uma via, ou seguindo o rastro de alguém, são bastante grandes. Eles podem estar na sua linha, mas também podem estar indo para outro lugar, eles podem até mesmo estar perdidos e indo para o lugar errado. Confie no seu instinto. Use o rastro como forma de se orientar e facilitar sua escalada (evitar ter que refazer degraus na neve/gelo, por exemplo) mas não fique obsecado a ponto de parar de checar seu topo e seguir cegamente. Aprenda a não contar com um caminho já traçado para sentir-se seguro, e conseguir manter o nível quando ele não estiver disponível.
21. Guiar-se por proteções pré colocadas
Assim como você não deve ficar obcecado por rastros de outros grupos, não fique obcecado com proteções pré-colocadas. Não encerre a cordada prematuramente, só porque você encontrou uma parada no meio do caminho. Muitas vezes eu assumi, apenas porque passei por um bloco equipado com cordeletes e bolts, que a cordada terminava naquele ponto e, ao invés de esticar mais a corda e subir mais alguns metros, encerrei minha escalada antes, perdendo tempo (mais uma parada, mais uma trocação de equipo, etc).
22. Escalar toda a corda
Tenha uma imagem mental do que são 60 metros, ou do tamanho da sua corda. Quando guiando, aprenda a “saber” o quanto de corda extra você ainda tem, e procure sempre utilizá-la ao máximo. Ao invés de confiar cegamente em paradas já armadas, que muitas vezes podem acabar encurtando a cordada, aprenda a montar suas paradas quando conveniente, e a confiar nelas. Cordadas esticadas resultam em menos cordadas, menos tempo trocando tralha, mais rapidez na subida.
23. Se hesitar, irá atrasar
Se o movimento parece muito difícil, ficar parado analisando não irá fazê-lo mais fácil. Medo, hesitação, pensar em excesso, tudo isso custa tempo, deixa bombando, gasta energia. Avalie o estado de suas proteções, avalie se o medo é real, e aja de acordo. Na grande maioria das vezes você está seguro, mas mesmo assim estará hesitando por medo de cair (de forma segura), ou pelo simples incômodo da exposição. A prática regular da escalada/montanhismo, e a busca por escalar no seu limite (e cair) irão facilitar e muito o processo de tornar-se um escalador mais decidido.

Roupas

24. Menos é mais
Tirar e colocar roupa demanda tempo. Você para, tira a mochila, tira as merdas todas, se arruma, põe a mochila de volta, … Antecipar é a melhor forma de poupar tempo. Se você está diante de uma longa caminhada, saia do abrigo com menos roupa, passe um pouco de frio, e poupe ter que tirar as mesmas roupas quando, em quinze minutos, você estiver fervendo. Esse mesmo raciocínio se extende para outros equipamentos, comida e água.
25. Fique calçado
Continuar usando sua sapata entre as cordadas irá poupar um tempo enorme durante a escalada. Não existe nada mais irritante do que escalar com alguém que insiste em ficar tirando a sapata a cada cordada. Essa é normalmente a mesma pessoa que não vai estar com a sapata pronta quando você acabar de descer da primeira via esportiva do dia. Ao invés de estar pronto, o cara via estar relaxando ou olhando o guidebook, e agora que é hora de escalar, ele não está pronto. Como você vai “voar” as cordadas e vias desse jeito?
Quando você vai escalar, indepentemente de você estar guiando, fazendo seg, ou fazendo nada, é sua responsabilidade estar pronto.

Proteções

26. Proteger excessivamente
Muitas vezes, sob o calor do momento, se é tentado a colocar-se mais proteção do que você realmente precisa, sob a falsa crença de que a proteção abaixo de você irá falhar, mesmo sabendo que abaixo está um sólido nut, por exemplo.
Se a coisa está ficando preta, obviamente que você precisa proteger mais, porém, muitas vezes é interessante puxar um pouco mais, e achar um lugar mais conveniente e confortável para colocar a próxima peça. O segredo é obviamente saber (e confiar) que sua proteção é boa ou não, e isso vem com experiência.
Lembre-se de que você pode escalar uma via protegendo a medida em que você sente medo ou faz dá um esticão, ou você pode escolher proteger nos lugares que decidir serem melhores e mais cômodos. A segunda é uma maneira mais proativa, ao contrário da primeira, reativa, que diminui o controle de sua escalada e suas chances de sucesso.
27. Aprenda a colocar proteções bomba
Se você quer escalar rápido, precisa aprender a colocar proteçõe sólidas, a prova de bomba. Nada menos que isso irá servir. O equipamento utilizado para proteger a cordada e a parada, precisa ser perfeito.
Apenas após escalar muito e colocar muitas proteções de forma rápida e eficiente, você estará qualificado para escalar rápido vias em que você coloca sua própria proteção. Parte de estar seguro ao escalar rápido diz respeito a ter o conhecimento, experiência e julgamento para avaliar a confiabilidade das suas peças. Nada compromete mais sua segurança do que suas proteções.
28. Use fitas para ancoragens rápidas
Se estiver fazendo várias cordadas em esportiva é interessante deixar prontas fitas para as ancoragens. Monta umas duas fitas, cada qual com dois mosquetões de rosca nas extremidades, e clipe-os como uma costura alpina no seu harness, juntamente com mais dois outros mosquetões (sem rosca). Ao chegar a parada, tudo o que você precisa fazer é clipar cada um dos mosquetões em um bolt, fazer a “magic x”, e clipar os dois mosquetões sem rosca no ponto mestre do seu “magic x”, e já era. Clipado e pronto pra ser baixado.
Esse set-up também function perfeito para vias tradicionais onde as parades tem bolts. Assim você rapidamente põe seu parceiro na seg ao invés de perder tempo usando a corda para se conectar a parada, e a inversa também ocorre: quando seu parceiro termina a cordada, a corda dele estará livre e pronta para ser usada. Nada de desfazer nós ou retirar corda da ancoragem.
Alternativamente pode-se usar duas costuras para efeito similar, mas é interessante usar ao menos um mosquetão de rosca conectado ao ponto central da equalização, ou como ponto principal de clipagem da ancoragem.
Em uma via de várias cordadas em que há três ancoragens para equalizar, leve um cordelete com os mosquetões de rosca já conectados. Novamente, clipe os mosquetões nas ancoragens, equalize o cordelete e clipe-se ao ponto central com sua daisy. Se quiser adicionar redundância adicional, pode-se clipar um pedaço da corda na ancoragem principal com uma volta do fiel, que não fica tão difícil de desfazer quando tensionado, quanto um longo e demorado nó oito.
29. Cams ao invés de nuts
Carregue um bom rack de cams em vias longas, eles são muito mais rápidos de colocar e retirar em granito do que nuts ou hexes. Seu parceiro precisa apenas apertar o gatinho para liberá-lo (ok, as vezes eles também emperram, mas muitas vezes porque foram enfiado fundo demais). Cams como os Black Diamond Camalots ou Omega Pacific’s Link Cams tem um maior espectro de abertura do que outros cams, então você precise levar menos números.
Também fique atento para proteções fixas que podem ser usadas rapidamente para proteger ou criar uma parada. Lembre-se sempre de chegar o estado dos pitons, bolts, fitas, etc.
30. Use uma daisy chain
Se você está fazendo uma via de várias cordadas, mesmo que várias cordadas esportivas, use uma daisy chain para clipar-se a ancoragem ao invés da corda. Isso poupa tempo na hora de limpar a ancoragem e trocar a tralha.
Ao chegar ao topo da via, ou subir até a parada nos jumares, é muito mais rápido e prático clipar a daisy do que adicionar nós extras ou tralhas que tomarão ainda mais tempo para serem desfeitos.
Isso é recomendável apenas para escaladores experientes que conhecem seus sistemas de segurança e limitações. Se você está começando, é interessante clipar-se a ancoragem com a corda antes de fazer a segurança de seu parceiro. A daisy pode ser perigosa se usada incorretamente.
Se em uma via de várias cordadas a sua primeira proteção for a prova de bomba, você pode clipar sua daisy nela e rapidamente começar a dar segurança para o segundo, enquanto se encarrega de colocar proteções extras e equalizar todo o sistema com uma fita ou cordelete.

Referência / Bibliografia

Speed Climbing!, 2nd: How to Climb Faster and Better (How To Climb Series), Hans Florine (Author), Bill Wright (Author)
http://www.climbing.com/, Seções ‘Skill’ e ‘Tech Tips’

Autor: Murilo Lessa

Murilo Lessa é natural de Piracicaba e desde 2008 mora em Londres, na Inglaterra. Analista de Sistemas, também pratica canyoning, trekking, e é piloto de paraglyder. Se dedica a escalada e ao montanhismo desde 2009, e faz mil malabarismos para balancear treinos e ambições egoístas com a família e o trabalho.
http://blogdescalada.com/30-ideias-para-apertar-o-seu-passo-vertical-parte-2/

30 Idéias para apertar o seu passo vertical! (Parte 1)


Se você já foi pros Alpes, com certeza já passou por algumas situações interessantes que te deixaram com a seguinte pergunta na cabeça, “como esses malditos franceses são tão rápidos?”. Aquele pontinho que você casualmente observava lá embaixo, está de repente na sua parada, pedindo espaço.
Ele vai passando pela suas cordas, fumando um cigarro enquanto dá segurança, e você apenas sabe que em um minuto ou dois ele estará te ultrapassando, sem muito mais do que um ‘s’il vous plait’… Déjà vu?
Após terminarmos nossa última via no Mont Blanc du Tacul, passei um bom tempo revisando a subida em minha cabeça, tentando descobrir porque levamos quase o dobro do tempo estimado pelo guidebook.
Sim, nós terminamos a via, sim, nós poderíamos ter feito algo mais difícil, mas… isso iria provavelmente levaria ainda mais tempo, o que não é aceitável. Hora de voltar para a mesa de projetos, estudar e reviser o be-a-bá.
Esse texto partiu de um e-mail que pretendia enviar para meu parceiro, com alguns pontos que eu achava importante serem discutidos de forma a tornarmo-nos mais eficientes e rápidos. A mensagem cresceu a ponto de virar um artigo, que eu sempre reviso como forma de me lembrar os conceitos básicos, que somem da nossa cabeça na hora H.
Mesmo escaladores experientes, quando nos Alpes pela primeira vez, podem ter dificuldade em ajustar-se as técnicas de gerenciamento de risco do lugar. As técnicas para mover-se eficientemente de forma rápida e segura não surgem da noite pro dia, e aqui eu procuro apresentar algumas idéias e dicas que podem ajudar nesse processo.
Neguinho gosta de criticar então é bom explicar: eu não sou um escalador prodígio, sequer me considero escalador. Ainda subo na velocidade de um caramujo, mas essas dicas me ajudaram a poupar algumas horas de frio e sofrimento. Muitas desses conceitos são específicos para escalada alpina, mas também podem ser aplicados a escalada esportiva e tradicional.

O básico: lógica e planejamento

1. “O seguro morreu de velho”
Antes de mais nada é importante salientar que existem vários benefícios em escalar-se rápido, mas não devemos sacrificar segurança por velocidade. Escalando rápido, jamais comprometa a cadeia básica de segurança, ou faça manobras arriscadas para ganhar tempo. A montanha sempre estará lá, fazer coisas estúpidas para ganhar tempo apenas compromete a sua vida e a de seu parceiro.
2. “Treine duro, lute mole”: condicionamento e aclimatação
Desnecessário dizer que condicionamento e aclimatação são essenciais para mover-se eficientemente na montanha. Você deve incluir ciclos específicos de treinamento para cardio e para a atividade da escalada em si.
O treinamento pode continuar durante a viagem com a inclusão de longas caminhadas até os abrigos, o que também ajuda a economizar uma grana. Uma vez em forma, pode ser interessante utilizar os teleféricos como uma forma de chegar na base da via sentindo-se fresco e pronto, com a alma culpada, mas o corpo inteiro.
Aclimatação é um assunto complexo que se abordado corretamente irá ajudar a reduzir a perda de tempo valioso sentindo-se mal dentro da barraca. Um incremento gradual de altitude no começo de qualquer viagem, com algumas noites dormindo alto, irão ajudar muito. Lembre-se que mesmo sob modestas elevações um time não aclimatado pode ser bastante prejudicado em termos de rendimento/velocidade.
3. “Saber é poder”
Fazer o dever de casa é essencial. Junte a maior quantidade possível de informações sobre seu objetivo, das mais variadas fontes. Muitos guidebooks estão desatualizados por conta da intensa atividade glacial/avalanches que alteram o estado das rotas e aproximações.
Guias locais, guardas do abrigos, revistas especializadas, outros escaladores, e escritórios dos guias locais são ótimas fontes de informação. Hoje em dia muito desses dados é disponibilizado em relatórios on-line, e fóruns de discussão, mas a qualidade de tais posts deve ser sempre validada. De forma geral, você pode confiar em sites oficiais e relatórios escritos por guias, além de fóruns de discussão locais (principalmente Suiça, França e Reino Unido). Com confiança de que você tem todo o conhecimento sobre o desafio a frente, será mais fácil decidir quais equipamentos levar, antecipar a via, suas condições, e assim mover-se mais rápido.
Pense cuidadosamente sobre sua logística e tenha um plano para toda as eventuais possibilidades. Considere tempo, aproximação, descida, o que levar, etc. Faça planos reais, apenas escalando dentro de seus limites técnicos/físico você será capaz de mover-se de forma eficiente e segura. O oposto também se aplica, ser ultra conservador e cauteloso, levando tralha para bivaque por exemplo, irá quase seguramente resultar em você utilizá-la. Quanto mais difícil e comprometido o objetivo, mais tênue a linha do que é de fato essencial, e melhor julgamento e experiência se fazem necessários.
4. Escale esperto
Jogue com as habilidades do seu time. Planeje a frente e tenha certeza de que você irá guiar o tipo de terreno que melhor lhe convém, assim como seu parceiro. Isso é especialmente importante em terreno mixto, que pode envolver diversos estilos diferentes de escalada. Maximizando as habilidades do grupo o movimento fica mais fluído.
5. Leve é bom, leve é rápido
Além dos betas e topos, outra maravilha da vida moderna é o fato dos equipamentos estarem cada vez mais leves. Normalmente, leve é certo, você não pode escalar a 100km/h com mega kilos de tralha, e há uma grande satisfação em aproximações rápidas e movimentação eficiente, porém é preciso decidir o quão leve é leve, e quão leve é suficiente.
Ir light requer competência em todas as áreas da escalada/montanhismo. Se você não for totalmente competente e em forma, estará comprometendo sua segurança se não carregar equipamentos e suprimentos suficientes. Quando se embarca com o mínimo, a margem de erro é diminuída gigantemente e você talvez se veja em uma situação em que precise chegar ao cume de qualquer jeito.
O que levar
Peso pode ser poupado em todas as partes do seu kit, de mosquitões wire gate e modernas botas, a capacetes de polietileno. Uma das maneiras mais fáceis de poupar peso é usar uma mochila leve e a prova d’água.
Se você pretender ir leve e rápido em uma rota, o melhor é que seja uma via que você já fez. Assim você conhece o caminho, sabe o que precisa, e pode com segurança fazer uma dieta extrema no seu rack. Se você é fanatico como Hans Florine, famoso escalador do El Cap, faça furos nos seus cams e nuts para reduzir seu peso. Serre o cabo da escova de dente, ou não leve escove alguma! Carregue mosquetões wire gate ultra leves. Uma fina corda de 70m, é leve e comprida o suficiente para permitir que você extenda as cordadas. Apenas lembre que cordadas maiores precisarão de mais proteção.
Logística da leveza
Você precisa de duas cordas pra fazer o rappel? Você estará escalando a maior parte do tempo sob o sol? Caso afirmativo você precisará carregar líquidos suficientes para manter-se hidratado. O tempo está bom ou existe risco de tempestade? Tempo ruim irá exigir roupas extras. Comida é outro tema complexo, barras de proteína e gels são leves e permitem uma rápida re-energização. Você está fazendo uma única via longa ou várias vias em sucessão? Se você for juntar vias pode carregar equipamentos extras e deixá-los na base dentro da mochila. Deu pra entender…
Rápido e leve nem sempre é a melhor solução
Um rack leve fará toda a diferença entre fazer a via em um dia, ou passar dois dias rebocando tralha pra cima. Pratique escalando vias menores com pouco equipamento. Analise e se prepare antes de comprometer-se.
6. “O hábito faz o monge”
O que mais ajuda na velocidade é a pura e simples fluidez na escalada. Qualquer um pode aprender os truques do alpinismo, mas normalmente os mais rápidos são também os mais versados tecnicamente. Para subir o nível e evitar o cemitério, a receita é dominar os conceitos básicos e fundamentais, e pra isso só existe uma receita: escalar, e escalar muito. Repetir, refazer, simular, treinar, e treinar mais, até que todos os processos estejam tão automáticos que você possa fazê-los dormindo.
Escalar, nos torna escaladores. Escalar nos torna melhores escaladores. Você aprende a ser mais eficiente e usar menos energia. Fazendo mais cordadas, fica-se forte e ganha-se resistência. Você se torna mais eficiente em montar e desmontar suas ancoragens e sua cabeça fica mais serena porque você, fazendo mais milhas, com o tempo ficará menos assustado, e terá menos tempo pra ficar pensando na exposição e movimentos duvidosos, simplesmente porque estará voando sob eles.

Técnica, gerenciamento e organização

7. Nutrição e Hidratação
Tenha certeza de não ficar cansado e preguiçoso e parar de se alimentar e hidratar corretamente. Tenha líquidos e petiscos ao alcance, de forma a garantir um fluxo constante de carboidratos. Tente manter-se sempre fresco enquanto escala, isso ajuda a prevenir hiperaquecimento e desidratação, o músculo trabalha melhor quando levemente frio. Use uma jaqueta na hora da seg ou quando estiver parado.
Um camel back facilita e acelera a hidratação porque você não precisa parar para tirar a garrafa da mochila. Lugares mais frios podem requerer que o frasco e até mesmo a mangueira sejam devidamente isolados para evitar congelamento.
8. Gerenciamento da tralha
A troca de equipos entre parceiros toma bastante tempo e requer consideração. Ao recolher os equipamentos tente sempre mantê-los em sua cadeirinha de uma forma organizada, o que irá facilitar passá-los adiante. Se você não está em terreno muito difícil, pode valer a pena colocar os nuts de volta no mosquetão correto ao invés de deixá-los pendurados na costuras, bem como em encurtar os extensores (costuras alpinas).
O ideal é que você e seu parceiro tenham formas similares de distribuir os equipamentos na cadeirinha, também ajuda muito se ao recolher a tralha você a distribuísse em uma fita ou cordelete, dessa forma tudo o que você precisará fazer quando chegar na parada é passar o molho todo (muito cuidado nessa hora) ao seu parceiro.
9. Gerenciamento da parada
A primeira coisa ao chegar na parada é fazer-se seguro, uma vez fora de perigo, e antes de começar a dar seg para seu parceiro, você deve preparar a área para recebê-lo. Considere todas as implicações: arrume espaço para recolher e colocar a corda, bem como um local para seu parceiro chegar, relaxar e trocar a tralha com você de maneira cômoda e segura. Se possível, até mesmo deixe colocada a próxima proteção, isso dá agilidade e logo de cara protege o seg de um fator 2.
Normalmente uma segurança indireta – com o ATC na proteção ao invés de na cadeirinha – é rápido de montar e, caso você esteja usando um aparelho com blocagem automática, permite que você fique com as mãos livres para arrumar a corda, hidratar-se, ou resolver qualquer eventualidade.
Ao trazer meu parceiro, gosto de deixar a corda bem tensa porque assim ele pode subir mais rápido sem receio de uma queda – isso não é ideal caso envolva alguma travessia mais delicada, pois você pode acabar desequilibrando-o ao invés de ajudá-lo.
10. Gerenciamento da corda
Gerenciamento da corda é com certeza uma das tarefas que mais toma tempo durante a escalada. Simplicidade é o segredo. Longos extensores e cordas gêmeas ou simples (quando apropriado) fazem a manipulação mais simples e limpa. Considere escalar todo o comprimento da corda e levar um fino cordelete apenas para puxá-la durante o rappel (dyneema de 5.5m é o que se usa normalmente). Essa técnica tem diversas vantagens quando você tem que puxar, escalar artificialmente, ou jumarear, e é muito usada em vias mixtas difíceis nas grandes paredes. Nos Alpes, isso é melhor aplicado em vias de gelo onde existe pouca fricção ao puxar-se as cordas do rappel, ou em rotas em que você pretende descer por uma via fácil, e leva uma segunda corda apenas como backup.
Pessoalmente, os maiores problemas que tive com corda se devem em grande parte a forma como eu ou meu parceiro a tratamos durante a subida do segundo. Nessa hora, usar um sistema auto-blocante faz toda a diferença pois permite que você vá dispondo a corda em loops, ao invés daquela porquice embolada no canto. Os loops devem começar grande e ir ficando menores para evitar que se enrosquem um no outro. Jamais deixe-os escorrerem muito longe, ou você corre o risco deles ficarem presos em alguma protuberância, e aí vai ser um inferno.
Quando seu parceiro chegar até você, preste atenção para que lado ele vai, e onde pisa, ou vocês podem acabar passando “por dentro da corda” sem perceber, e correm o risco de até mesmo algum nó aparecer no sistema. Faça tudo com calma, sempre atento a de onde a corda vem e para onde vai.
Algo bem interessante que fiz algumas vezes foi levar no bolso um saco plástico grosso, que eu uso para recolher a corda. Isso faz o processo de mover e recolher a corda muito mais simples, especialmente quando as paradas são pouco espaçosas.
11. Blocantes
Pense em gerenciamento de tempo até os últimos detalhes. Até o final, enquanto se escalada em terreno protegido, tudo deve ser feito enquanto se está dando segurança, o que inclui comer, beber, olhar o guidebook, etc. Usar um blocante que permita travamento automático (ATC Guide, Reverso, …) significa que você pode dar seg e ao mesmo tempo, de forma segura, tirar suas mãos da corda e cuidar de outras tarefas.
12. Crampons
Aprenda a escalar rocha de maneira rápida e eficiente usando crampons. Isso é uma técnica que precisa ser treinada a exaustão e irá poupar horas em trocas de calçados quando deparado com seções técnicas de rocha pura. Aprenda a ter confiança nos crampons sob qualquer tipo de terreno, rocha lisa/podre, terreno misto, neve, gelo, …
13. Rappel
Tenha um sistema seguro e eficiente para fazer o rappel. Uma descida rápida e descomplicada irá poupar inúmeras horas de aborrecimento. Pontos cruciais incluem:
- Use um rabo-de-vaca para se conectar as paradas rapidamente.
- Use um prussik frânces como backup, e forma de manejar a corda com segurança durante a descida.
- Mantenha a comunicação simples. Algumas pessoas usam um grito tirôles para indicar que a corda está livre e pronta para o próximo, isso é fácil de distinguir quando se escala perto de outros grupos.
- Mantenha o grupo ativo durante todo o tempo: Por exemplo, enquanto um está puxando a corda, o outro está preparando e a passando pela próxima ancoragem. Assim que o nó chegar, o primeiro debaixo pode encordar-se e começar a descida enquanto o resto da corda está sendo puxada. Isso tipo de continuidade é a chave para um rappel rápido e eficiente.
- Marque o meio da corda: se você sabe onde está a metade da corda, pode passá-la direto pela ancoragem, até o ponto central, e então rapidamente jogar direto ambos os lados pra baixo. Não esqueça de dar um nó (parada, oito, pescador, …) ao final de ambas as pontas para evitar o risco de rappelar pra fora da corda. A marcação central também facilita na hora de enrolar a corda nas costas para transporte, e quando se está escalando esportivamente, seja subindo ou baixando o parceiro.
Se a sua corda não for marcada você pode comprar uma corda bicolor, que muda a cor ou o padrão da costura no meio, ou também pode marcar a corda com uma caneta especial, mas isso pode enfraquecer a corda. Você também pode passar uma fitinha no meio, mas isso não funciona muito bem.
- Alternativas leves: precisa de duas cordas para descer? Uma solução é escalar com cordas gêmeas ou duplas, mas se você não tem esse hábito pode ter um pouco de trabalho para se adaptar. Uma alternativa é o guia puxar uma corda fina (7.5 a 8mm). Uma vez na parada, o guia puxa todo o resto da cordinha e apenas então a corda guia. Dessa forma se a cordinha ficar presa o segundo pode desenroscá-la. Outra vantagem desse sistema é que se o guia precisar de algum equipamento extra, o segundo pode amarrá-lo e passá-lo através dessa corda.
Continua…

Autor: Murilo Lessa

Murilo Lessa é natural de Piracicaba e desde 2008 mora em Londres, na Inglaterra. Analista de Sistemas, também pratica canyoning, trekking, e é piloto de paraglyder. Se dedica a escalada e ao montanhismo desde 2009, e faz mil malabarismos para balancear treinos e ambições egoístas com a família e o trabalho.
http://blogdescalada.com/30-ideias-para-apertar-o-seu-passo-vertical-parte-1/

Saiba como fazer seu próprio “Clip Stick”


No mercado da escalada existem vários produtos que visam servir como um “Clip Stick”.
O “Clip Stick” é uma técnica de se equipar desde o chão uma ou mais proteções de uma via em que, por algum motivo de precaução o escalador opta por não o fazer escalando.
Este tipo de artifício é muito popular entre escaladores esportivos.
Visando facilitar a vida de quem recorre a este método corriqueiramente, alguns fabricantes introduziram no mercado equipamentos que facilitam a vida do escalador.
Produtos como “Superclip” e similares podem facilmente serem comprados em lojas no estrangeiro (ainda não há notícias de lojas que comercializam o produto por aqui)
Porém se você tem habilidade com alicates , e possui arames de cerca de fazenda em casa é possivel fabricar um.
Acompanhe abaixo como montar o seu próprio “Clip Stick”
1 – Corte uma parte do seu arame
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Foto : Andrew Burgoon
2 – Dobre em “U” a parte que irá segurar o gatilho do mosquetão
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Foto : Andrew Burgoon
3 – Dobre a parte que irá segurar o mosquetão
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Foto : Andrew Burgoon
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Foto : Andrew Burgoon
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Foto : Andrew Burgoon
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Foto : Andrew Burgoon
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Foto : Andrew Burgoon
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Foto : Andrew Burgoon
Fonte : http://www.czechclimbing.com/clanek.php?key=5416

Autor: Luciano Fernandes

Luciano Fernandes
Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é aficionado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola SÃo Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema” e jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.
http://blogdescalada.com/saiba-como-fazer-seu-proprio-clip-stick/

kit primeiros socorros


Kit13 AdventureFalar sobre Kits de Primeiros Socorros para atividades ao ar livre é um tema muito vasto, pois varias são as situações onde usaremos esses kits.
Eles podem ser para toda uma expedição com varias pessoas que ficarão muitos dias no campo, ou pode ser um Kit pessoal com material básico para uma caminhada de final de semana.
No exterior existem algumas empresas que comercializam Kits de primeiros socorros específicos para cada tipo de atividade: montanhismo, iatismo, espeleologia, off Road.
Cada kit leva uma quantidade de material para um determinado numero de pessoas e seus equipamentos variam também de acordo com quem vai utilizá-lo , se são leigos treinados em primeiros socorros, se são profissionais de saúde ou até mesmo médicos.Kit12 REI
Aqui vamos dar o exemplo de um kit pessoal que você pode levar em sua mochila contendo materiais básicos onde seja possível prestar atendimento para até duas pessoas.
Lembrando que nesse kit teremos apenas materiais para prestar primeiros socorros e o uso de medicamentos deve ser prescrito por um médico.
o08[1]O kit deve ter um tamanho e peso apropriado para o material que você pretende levar, e de preferência o mesmo deve ser a prova de água, os materiais devem ser divididos em grupos de acordo com seu uso e você deve levar apenas equipamentos que saiba usar.
“Quando aplicamos primeiros socorros em áreas remotas e locais ao ar livre é muito importante saber improvisar materiais e equipamentos usando meios de fortuna.”
Material para um Kit de primeiros socorros básico:
  • 02 – Pares de luvas de látex – Usadas para proteção individual do socorrista contra sangue e secreções potencialmente infectadas.
  • 01 – Mascara para RCP – Funciona como barreira de proteção individual do socorrista durante as respirações de resgate e auxilia na ventilação da vitima.
  • 01 – Tesoura sem ponta – Usada para cortar roupas e outros materiais.
  • 01 – Pinça pequena – serve para retirar espinhos e farpas.
  • 01 – Seringa de 20ml – Utilizada para irrigação e limpeza do ferimento.
  • 04 – Saches de toalhas antisépticas – Limpeza das mãos do socorrista.
  • 01 – Manta aluminizada (cobertor de emergência) – Proteção em casos de Hipotermia também pode ser usado para se proteger do sol.
  • 01 – Proteror solar – Proteção contra os raios UV evitando queimaduras e desconforto.
  • 01 – Repelente de insetos – Evitar o contato de mosquitos e outros que possam transmitir doenças e causar alergias e desconforto.
  • 01 – Rolo pequeno de esparadrapo – Serve pra fixar gaze e fazer curativos.
  • 10 – Curativos adesivos tipo Bandaid – Ideais para pequenos ferimentos são encontrados em vários tamanhos e formatos.
  • 04- Compresas de Gaze 7,5X7,5cm – Utilizada em curativos para conter sangramentos leves e proteger o ferimento.
  • 02 – Compresas de Gaze 10X15cm – Utilizada em curativos para conter sangramentos leves e proteger ferimentos maiores devido ao tamanho.
  • 02 – Compresas de Gaze 15X30cm – Com algodão intercalado – Utilizada em curativos para conter sangramento abundante devido a camada de algodão.
  • 04 – Compresas de Gaze Adaptic – Não aderente – Utilizada em casos de queimaduras e abrasões onde não a pele evitando que o curativo fique colado ferimento.
  • 02 – Ataduras de 10cm – Servem para imobilizar e fixar curativos e talas.
  • 02 – Ataduras de 20cm – Servem para imobilizar e fixar curativos e talas.
  • 01 – Bandagem triangular – Muito útil no caso de imobilizações e fixação de talas e curativos.
  • 01 – Spray Antisséptico – Usado em curativos de ferimentos e queimaduras e alivio da dor.(verificar com seu médico qual o antisséptico mais indicado para você)
  • 01 – Bolsa de Gelo instantâneo – Calminex Ice – CALMINEX ICE BAG é uma Bolsa de Gelo Descartável que alivia a dor e o inchaço de traumas e pancadas através da terapia natural do frio, comprime os vasos sanguíneos aliviando as dores e o inchaço de torções, distensões, contusões, pancadas, queimaduras leves, dor de dente, dor de cabeça simples e picadas de insetos. Calminex Ice Bag NÃO É UM MEDICAMENTO. Calminex Ice Bag pertence à categoria produto para saúde. (informações retiradas do site oficial Calminex)
  • 01 – Adesivo Térmico – Calminex Hot – CALMINEX® HOT é um adesivo térmico que auto aquece em contato com o ar. Alivia as dores provenientes da tensão, stress, dor nas costas, distensões e cólicas através da terapia natural do calor, que alivia a rigidez muscular e melhora a circulação sanguínea do local da aplicação. Calminex Hot NÃO É UM MEDICAMENTO. Calminex Hot pertence à categoria produto para saúde. (informações retiradas do site oficial Calminex)
  • 01 – Pomada Calminex H – INDICAÇÕES: CALMINEX® H é indicado nos processos dolorosos de articulações e massa muscular, em contusões, luxações, nevralgias, torcicolos, cãibras e traumatismos musculoesqueléticos. O mesmo é vendido no comercio sem prescrição médica. (informações retiradas do site oficial Calminex)
  • 01 – Purificador de água – Usado para purificação de água a ser consumida ou usada em situações de limpeza de ferimentos.
Nota do autor: Os produtos da linha comercial CALMINEX citados acima são utilizados pelo autor em seu Kit de Primeiros Socorros devido a sua qualidade, porem os leitores tem total liberdade para procurar os produtos de sua preferência, o ideal é que tenham as mesmas propriedades no tratamento das lesões citadas.

Autor: Marcos Padilha

Marcos Padilha
Práticante de Montanhismo e esportes de Aventura, Padilha é adepto de longas caminhadas e travessias, já fez caminhadas na Bolivia, Peru e Patagonia Chilena e Argentina no Brasil realizou caminhadas e expedições na Amazonia, Pantanal, Mantiqueira, Marumbi, Serra dos Orgãos, Pico da Bandeira e Serra da Bocaina dentre outros. Criou a PadilhaTreinamentos com o objetivo de ensinar as pessoas a conviverem e praticarem esportes junto a natureza de forma segura e saudavel, aliando a experiencia adquirida durante anos de vivencia em atividades ao ar livre e na vida profissional.
http://blogdescalada.com/como-montar-seu-kit-de-primeiros-socorros/

Saiba como identificar e prevenir Hipotermia


hipotermia2Nas atividades ao ar livre seus praticantes estão totalmente expostos ao meio ambiente o que os torna cada vez mais vulneráveis a situações que não encontraríamos normalmente nas cidades.
O fato de cruzar um riacho e ficar com os pés molhados, passar horas caminhando sob chuva e exposto ao vento ou pernoitar no campo de forma inadequada sem equipamentos específicos pode ser fatal.
A Hipotermia acontece quando nosso corpo não consegue mais produzir calor suficiente e a temperatura corporal cai abaixo dos 35ºC .imersão
Isso pode acontecer devido a varias situações, as mais comuns são: uso de vestimentas inadequadas, esgotamento físico, exposição ao vento e baixas temperaturas, imersão em água, uso de drogas e álcool dentre outros.
Formas de perder calor:
• Convecção – O corpo perde calor devido a correntes de água ou ar.
• Condução – Existe uma transferência direta do calor do corpo para um objeto frio, (roupas molhadas, contato direto com o chão)
• Evaporação – O suor ou a água se evaporam da superfície da pele.
• Radiação – É quando um corpo quente perde calor devido à exposição a um ambiente muito frio, acontece independente da exposição ao vento, geralmente acontece em noites muito frias quando o céu esta limpo de nuvens.
Graus de Hipotermia:
hipotermia3• Hipotermia Leve: O primeiro sinal é uma tremedeira que o individuo não consegue controlar, seu corpo esta gelado e frio seus músculos se contraem, apresenta uma conduta pouco característica.
• Hipotermia Moderada: As extremidades estão frias, podem acontecer câimbras apresenta uma mudança na sua conduta e o nível de consciência começa a baixar, apresenta falta de coordenação motora.
• Hipotermia Grave: A temperatura corporal cai abaixo dos 33ºC não apresenta mais tremores, a vitima apresenta apatia sem nenhum estimulo o que leva a vitima a um quadro onde seus sinais vitais como pulso e respiração ficam mais lentos.
• Hipotermia Profunda: A temperatura da vitima esta abaixo dos 31ºC as extremidades estão geladas e rígidas, a vitima entra em um estado de inconsciência, os sinais vitais vão diminuindo sua freqüência, as pupilas estão dilatadas e fixas, o próximo passo acaba sendo a morte.
• Hipotermia por Imersão: Nos casos de hipotermia por imersão as vitimas perdem calor 25 vezes mais rápido quando estão na água, à grande maioria acaba se afogando antes de ser socorrida, um colete salva-vidas é fundamental para sobrevivência da vitima.
O que devemos fazer em casos de Hipotermia:
O primeiro passo é retirar a vitima da exposição ao tempo, remover todas as roupas úmidas e molhadas, e aquecer a vitima com roupas secas e cobertores, se necessário coloque a vitima dentro de um saco de dormir, podem ser dadas bebidas quentes/mornas apenas para vitimas CONSCIENTES, o contato corpo a corpo também pode ser utilizado.
Também podemos usar como meios de fortuna para aquecer o ambiente e o saco de dormir, água quente dentro de garrafas pet, pedras aquecidas numa fogueira, porem nunca deve haver contato direto desses meios com o corpo da vitima evitando assim possíveis queimaduras.
Faça um curso de Primeiros Socorros e aprenda técnicas especificas de como atender diversos tipos de emergências.

Autor: Marcos Padilha

Marcos Padilha
Práticante de Montanhismo e esportes de Aventura, Padilha é adepto de longas caminhadas e travessias, já fez caminhadas na Bolivia, Peru e Patagonia Chilena e Argentina no Brasil realizou caminhadas e expedições na Amazonia, Pantanal, Mantiqueira, Marumbi, Serra dos Orgãos, Pico da Bandeira e Serra da Bocaina dentre outros. Criou a PadilhaTreinamentos com o objetivo de ensinar as pessoas a conviverem e praticarem esportes junto a natureza de forma segura e saudavel, aliando a experiencia adquirida durante anos de vivencia em atividades ao ar livre e na vida profissional.
http://blogdescalada.com/saiba-como-identificar-e-prevenir-hiportermia/

Aprenda o uso correto das “borrachinhas” nas costuras de escalada

Na escalada existem muitas convenções adotadas por alguns escaladores que colocam em risco a segurança de todos.
É boa prática de todo escalador além de fazer um curso de escalada com instrutor experiente e de boa reputação, usar os termos corretos e não inventar modismos.
Na semana passada a morte do escalador italiano de 12 anos Tito Traversa gerou uma comoção em muita gente.
O que chamou mais a atenção foi o fato da causa do acidente ser banal : as costuras estavam com a “borrachinha” de travamento colocada errada.
Não é o caso de abolir o uso da “borrachinha”, e sim aprender sobre o uso correto.
Em inglês a “borrachinha” é conhecida como “sling rubber”.
Imagem – manual da Petzl
Ilusttração : http://climbing.com
Ilustração : http://climbing.com
Ilustração : http://climbing.com
Ilustração : http://climbing.com
Ilustração : http://climbing.com
Ilustração : http://climbing.com
Foto : http://petzl.com
Foto : http://petzl.com
http://blogdescalada.com/saiba-o-uso-correto-das-borrachinhas-nas-costuras/

Os erros mais comuns de escaladores em ginásios de escalada


No_oitoPara evoluir dentro da escalada é necessário fazer treinamentos.
Algumas pessoas treinam somente escalando em rocha, outras por morarem longe delas em ginásios de escalada.
Nos ginásios de escalada ocorrem com mais frequência acidentes por negligência ou distração de seus frequentadores e até mesmo monitores indevidamente orientados e preparados.
Importante lembrar que alguém que escalada muito não faz dele um bom monitor, ou instrutor. Mas isso é um outro assunto a ser discutido em outro artigo.
O importante é sempre fazer cursos de qualidade com instrutores qualificados.
Isso para não “inventar” nomes de equipamentos, procedimentos, comunicação entre escaladores e outros erros comuns de quem está iniciando ao esporte.attention_114e[1]
O site chileno ChileClimbers  fez uma lista interessante que traduzimos por ser comum a qualquer ambiente de escalada do mundo :
1 – Não conferir duas vezes o nó , freio e a corda passada nele.
2 – Excesso de confiança (também conhecido como medir exageradamente  a própria capacidade)
3 – Dar segurança distraído ou conversãndo displicentemente.
4 – Passar a perna atrás da corda
5 – Costurar ao contrário (também conhecido como costurar ERRADO)
6 – Z-Clip
7 – Morder em demasia a corda
8 – Não dinamizar as quedas
Texto Original : http://chileclimbers.cl/2013/04/22/los-errores-mas-clasicos-en-el-gimnasio-de-escalada/quickdrawZclip[1]

Autor: Luciano Fernandes

Luciano Fernandes
Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é aficionado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola SÃo Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema” e jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.
http://blogdescalada.com/os-erros-mais-comuns-de-escaladadores-em-ginasios-de-escalada/