segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Tipos de botas para a montanha

Há alguns anos atrás, quase todas as botas eram feitas de couro, mas alguns materiais mais modernos trouxeram certas vantagens no desempenho. Botas plásticas e botas de caminhada mais leves juntamente com as clássicas botas de couro são equipamentos comuns para viagens em ambientes selvagens, embora o couro seja ainda a primeira escolha para um montanhismo comum, não especializado.

Botas de couro - Uma bota de montanha comum é um meio termo entre exigências conflitantes. Ela deve ser robusta o suficiente para suportar os arranhões das rochas, rígida e sólida o suficiente para fazer degraus na neve dura e ainda suficientemente confortável para caminhadas de aproximação. Em um dia de escalada, as botas podem enfrentar riachos, lama, troncos derrubados, matagal, cascalho, neve dura e rochas escarpadas.

A bota de couro clássica tem as seguintes características: cano alto para proteger o tornozelo em terreno acidentado; solas de Vibram para tração sobre vegetação escorregadia, lama e neve; sola intermediária para isolamento e absorção de choques; e uma haste semi-rígida.

O comprimento e rigidez da haste de uma bota é um quesito muito debatido. O comprimento ideal depende de como a bota será usada. Para caminhadas, escaladas fáceis na neve e rotas sobre rocha, escolha uma bota semi-rígida, ou seja, com meio comprimento de haste de nylon ou de fibra, o que torna a bota razoavelmente flexível.

Botas usadas basicamente para escaladas técnicas em gelo ou rotas de dificuldade em montanha são vantajosas se forem plásticas ou possuírem uma haste de comprimento total, tornando-as rígidas. As botas plásticas ou rígidas não são boas para caminhar mas reduzem a fadiga nas pernas, quando são usadas as pontas frontais do crampon ou estando em pé sobre pequenas agarras na rocha.

A sola das botas deve ser unida à parte de cima por meio de duráveis métodos de costura, como a vira norueguesa considerado o mais durável. A vira deve ser estreita para evitar que a bota dobre em pequenas agarras. Outras características desejáveis nas botas são as seguintes:

  • O melhor é que a boca seja larga, assim, mesmo que a bota esteja congelada ou molhada, poderemos vesti-la com facilidade;
  • Um mínimo número de costuras, para diminuir os lugares por onde a água pode passar;
  • Uma língua do tipo fole, para evitar que a água entre facilmente na bota;
  • Duas ou três camadas de couro ou tecidos em áreas de alto desgaste (calcanhar e dedos);
  • Contorno dos dedos (biqueira) rígido, construído para proteger o pé, reduzir a pressão causada pelas correias do crampon e facilitar os chutes para progressão em neve dura;
  • Contorno do calcanhar rígido para aumentar a estabilidade e facilitar o afundamento em descidas íngremes sobre encostas nevadas.

    Botas de caminhada (hiking ou trekking) - Progressos na tecnologia de botas têm levado à evolução das botas de caminhada Feitas de couro e nylon, estas botas pesam de um terço até a metade do peso das botas tradicionais. Ainda são robustas o suficiente para caminhadas em três estações sobre terreno moderado. A parte de cima destas botas são coladas ao solado, eliminando a necessidade da vira. Certifique-se que as botas são altas o suficiente para proteger o tornozelo, que um rígido contorno envolva os dedos e calcanhar e que as áreas de abrasão sejam reforçadas.

    Vantagens das leves botas de caminhada incluem o custo reduzido, aumento da ventilação, melhorias no conforto e secagem rápida. Entretanto não são tão duráveis, não podem ser feitas à prova d’água como as botas de couro e carecem de peso e rigidez para progressões em neve firme. Sobre terrenos difíceis e sobre neve, as botas de couro ainda são as preferidas.

    Botas plásticas - As botas plásticas, originalmente desenhadas para escalada técnica sobre o gelo, encontraram um amplo mercado entre os montanhistas comuns interessados em rotas de neve ou escaladas invernais. a capa plástica da bota é impermeável. A bota interior, separada, permanece seca e mantém os pés aquecidos. Este botim interno pode ser removido, auxiliando a secagem e a transpiração.

    As botas plásticas precisam adequar-se bem desde o começo porque a forma rígida não se moldará ao pé com o tempo; em outras palavras, as botas plásticas não amaciam. A rigidez relativa da bota e o auto grau de aquecimento do botim fazem com que ela seja uma péssima escolha para o uso geral em trilhas. Quando experimentar as botas plásticas, tenha certeza de que elas não apertam os pés. Os pés incham em altas cotas e as botas plásticas são normalmente usadas para expedições em alta altitude.

    O tamanho adequado - Se você está procurando botas de couro, plásticas ou leves de caminhada, o tamanho apropriado é decisivo. Tente várias opções e estilos, com meias semelhantes às que você usará em uma escalada. Esteja certo de trazer os dispositivos ortopédicos (palmilhas, tornozeleiras, protetores de calo, etc.) que você planeja usar dentro das botas. Vista a bota na loja por vários minutos para dar às meias tempo de se comprimirem em torno dos seus pés.

    Então, note se as botas possuem alguma costura desconfortável ou rugas e se elas apertam contra o pé ou tendão de Aquiles. Em botas de tamanho devidamente apropriado, você deve sentir seus calcanhares firmemente ancorados no lugar enquanto seus dedos tenham bastante espaço para se movimentarem e não fiquem espremidos contra a biqueira quando você pressioná-los à frente. Botas muito apertadas diminuem a circulação sangüínea, causando esfriamento dos pés e aumentando a susceptibilidade ao congelamento. De outro modo, botas folgadas causam bolhas.

    A maioria das pessoas ficam com os pés inchados com o decorrer do dia, então, para melhor ajuste, considere isto ao comprar botas no período da noite. Escolhendo entre uma bota larga e uma apertada fique com a bota larga. Você pode preencher o espaço com uma meia fina e a maioria das botas pode encolher quase meio número com o tempo (porque o bico da bota tem a tendência de enrolar).

    Cuidados com a bota - Com cuidado apropriado, boas botas podem durar muitos anos. Mantenha a bota sem mofo lavando-a freqüentemente. Depois de lavada, encha de jornal ou coloque dentro uma fôrma e seque-a em uma área aquecida (não muito quente!) e ventilada. O calor pode danificar, na vira, os adesivos usados para colar a sola. Por isso, evite secar ou guardar as botas em temperaturas elevadas.

    As botas secadas em fogueiras poderão descolar a sola ou queimar, além de ressecar o couro. A sola da bota normalmente gasta antes que a parte de cima. Botas de boa qualidade podem ser ressoladas, embora isto possa mudar o tamanho original porque novas solas apertam o tamanho um pouco.

    Durante um passeio, a água pode entrar na bota pela boca e através do couro e costuras. As polainas evitam que a água penetre por cima da bota. Produtos impermeabilizantes aplicados ao couro e às costuras evitam que a água entre na bota.

    Com botas de couro novas, trata-se primeiramente a vira com um produto impermeabilizante desenvolvido para este propósito. Este processo precisa ser repetido periodicamente. As botas precisam estar limpas e secas, com toda a cera removida. Aplique o material diretamente sobre os fios e buracos dos pontos de costura; deixe secar antes de aplicar o produto no resto da bota. Alguns fabricantes usam borracha vedante para vedar a vira, uma característica desejável que simplifica a manutenção da bota e mantém seu pé seco.

    Aplique o impermeabilizante nas botas um dia ou dois antes de viajar para dar ao produto tempo para penetrar no couro. A composição do impermeabilizante usado sobre o couro da parte de cima da bota depende de como o couro foi curtido, então, siga as recomendações do fabricante. O nylon de algumas botas leves de caminhada é difícil de selar completamente, mas você pode deixá-lo mais resistente à água aplicando sprays a base de silicone. Seja o que for que você use sobre suas botas, aplique freqüentemente se você espera manter seus pés secos.

    Após usar botas plásticas remova o botim interno e limpe-os com sabão suave e água. Remova qualquer destroço ou pedaço de material que tenha permanecido dentro da bota plástica para prevenir abrasões e excessivo desgaste entre as botas interna e externa.

    Calçados especiais - Dependendo da viagem, um escalador pode usar um tipo de bota para a marcha de aproximação, outro tipo de calçado para usar no acampamento e ainda um outro tipo para escalar. Se você pode se dar ao luxo de calçados adicionais e está disposto a carregar o peso extra, considere estas opções:
  • Calçados leves, flexíveis para longas caminhadas, cruzar riachos e usar no campo base. Eles têm menos probabilidade de causar bolhas e são mais fáceis de vestir. Entretanto, estes calçados leves podem não proporcionar o suporte necessário ao carregar uma mochila pesada;
  • Calçados de camping podem ser: botinhas de tecido, para dormir aquecido e confortável e tênis ou sandálias, que darão chance das botas secarem;
  • Meias leves de trama e nylon para acampar e cruzar riachos. Elas são bem leves, têm uma sola tipo “waffle” (quadriculada) para tração e secam rapidamente, mas não dão nenhum suporte;
  • Calçados especiais para escalada técnica em rocha;
  • Botas de canela inteira que podem ser usadas com crampons rígidos para escalada no gelo.
  • Dicas gerais para um montanhista

    Descobrindo sua trilha

    Se você se perder, mantenha a calma. O pânico é seu maior inimigo. Pare e tente recordar como você chegou até onde você está. Não caminhe aleatoriamente. Se você estiver numa trilha, não a abandone. Utilize referências do terreno para se manter atualizado com relação a onde você está e para onde você está indo. Se você estiver fora de uma trilha, siga um vale ou riacho montanha abaixo. Isto pode se tornar difícil mas frequentemente levará a uma trilha ou estrada. Não viaje se for noite, estiver machucado ou próximo da exaustão, ou se o tempo estiver mal. Acima de tudo, conserve suas energias, e permaneça aquecido. Periodicamente faça sinais de alerta ( grite ou apite ) em grupos de três.
    Se alguém no seu grupo está perdido ou atrasado, notifique as autoridades, a polícia de uma cidade próxima, ou os guardas rodoviários. Eles tomarão as providências para alertar, ou ativar, uma organização de busca e resgate. Se a pessoa perdida voltar mais tarde, assegure-se de alertar as autoridades.

    Em caso de acidente

    Pare imediatamente. Mantenha-se calmo. Trate o ferimento se você tiver condições de fazê-lo e faça com que a vítima permaneça confortável. Se você tiver de ir atrás de socorro, deixe alguém com o companheiro ferido. Se você não tiver alternativa que não seja deixar a vítima sozinha, deixe uma barraca, ou cobertura, comida, água e uma lanterna ao seu alcance. Amarre um papel, ou pano, à vitima com o nome dela, uma descrição do acidente, a hora e data em que ele ocorreu, que primeiros socorros foram administrados, seu nome, seu provável destino, e a data e a hora em que você deixou o local. Esteja absolutamente certo de que você conhece o caminho de volta até a vitima.

    Evite encontros do pior tipo

    • Tenha um mapa e uma bússola e saiba como usá-los.
    • Planeje sua rota, e consulte seu mapa e roteiro frequentemente durante a viagem.
    • Viage com um companheiro. Você pode precisar de um em uma emergência.
    • Esteja em boas condições. Planeje tempo e energia de sobra para terreno acidentado, ou difícil. ( O ritmo médio em terreno montanhoso é de 3 km por hora mais uma hora para cada 300 metros de desnível de subida). Ajuste o seu ritmo de forma a sentir-se bem, e não mal. A fadiga leva a exaustão; e a exaustão leva à exposição ou acidentes. Descanse antes de você estar esgotado.
    • Monte o acampamento antes do escurecer. Viaje apenas durante o dia.
    • Pense antes de beber. A pureza das fontes de água, nos mapas e nas trilhas, não pode ser garantida. Um riacho ou uma fonte podem parecer claros e puros mas podem estar contaminados com micro-organismos que podem deixá-lo doente. Esteja seguro. Ferva ou trate toda a água de beber. O tratamento é particularmente importante quando for utilizada água turbida após uma tempestade. Geralmente água pode ser encontrada próximo a todos os pontos de acampamento. Mas, fontes em grandes altitudes podem secar durante o inverno, assim tenha sempre água suficiente com você.
    • Evite a desidratação. Beba antes de você sentir sêde. Um adulto necessita 3 ou 4 litros de água por dia enquanto está caminhando.
    • Esteja alerta para os sintomas da hipotermia. A hipotermia ocorre quando a temperatura do centro do corpo chega abaixo do normal por excesso de exposição ao frio ou à humidade. Ela pode ocorrer em temperaturas bem acima de zero. O tratamento se inicia abrigando a vítima do vento e da chuva e rapidamente secando-a e aquecendo-a. Previna-se da hipotermia evitando a exposição e a fadiga. Vista-se de forma a permanecer quente e obter proteção do vento e da chuva. Procure abrigo se você não puder permanecer quente e seco.
    • Seja sábio com o tempo. Conheça os sinais de aproximação de tempestades ou das mudanças das condições de tempo. Esteja preparado para quedas rápidas da temperatura em grandes altitudes, mesmo no verão.
    • Evite cumes, lugares expostos, árvores isoladas, riachos, lagos, e rochas durante tempestades elétricas. Encontre abrigo em uma área com floresta densa em lugares mais baixos. Remova mochilas com estruturas metálicas.
    • Acampe longe de árvores com galhos grandes, e mortos, especialmente durante ventanias.
    • Mantenha o acampamento limpo. Comida jogada fora e lixo atrai animais. Saiba como identificar insetos que picam, cobras venenosas, e plantas venenosas.
    • Conheça os primeiros socorros para acidentes e males súbitos.
    • Deixe um plano de viagem com os amigos ou a família de forma que alguém saiba onde você está e quem deverá ser contactado em caso de emergência.
    • Proteja os recursos da floresta. Comunique incêndios, vandalismos e crimes ecológicos.

    Leve os dez elementos essenciais em todas as caminhadas

    • Mapas
    • Bússola
    • Apito ( 3 apitos significa socorro )
    • Lanterna
    • Faca afiada
    • Acendedor de fogueira ( vela )
    • Fósforos e isqueiro
    • Kit de primeiros socorros
    • Comida extra
    • Roupas quentes e material de chuva

    Utilização sem marcas

    A popularidade de algumas trilhas, combinado com técnicas inapropriadas de caminhada e acampamento, está criando problemas de impacto humano importantes. Para manter a qualidade das experiências na trilha e liberdade irrestrita na trilha, os individuos devem aceitar a responsabilidade de minimizar o impacto de suas visitas.
    • O uso ético sem marcas o encoraja a:
    • Estar consciente de seu impacto potencial sobre o ambiente;
    • Aprender e utilizar habilidades de viajar ao ar livre e acampar que reduzem seu impacto sobre o ambiente;
    • Respeitar os direitos daqueles que você encontra ao longo do caminho e aqueles que vem atrás de você.

    Qual é a sua classificação como um campista que não deixa marcas ?

    O seu desafio é não deixar evidências de sua visita, de forma a que as próximas pessoas possam desfrutar de um cenário natural. Caminhe de forma leve de forma a que a natureza possa aguentar e refazer-se.

    Planeje previamente para evitar impacto:

    • Evite feriados e fins de semana.
    • Evite lugares populares, e áreas de uso intensivo.
    • Limite o tamanho do grupo ( 6 ou menos é o ideal )
    • Reembale a comida para reduzir as embalagens.
    • Leve sempre um saco de lixo para trazer de volta todos os residuos.
    • Leve um fogareiro e comida que requeira pouco cozimento.
    • Compre equipamento de cores amenas e semelhantes à floresta.
    • Deixe os animais domésticos em casa.
    • Deixe rádios e toca-fitas em casa.

    Viaje evitando impacto:

    • Viaje em silêncio.
    • Fique na trilha principal, mesmo se molhada.
    • Nunca corte caminhos em zig-zags da trilha.
    • Veja e fotografe; nunca pegue ou colha.
    • Evite áreas populares.
    • Nunca jogue fora nada, incluindo pontas de cigarro e papéis de bala.
    • Caminhe levemente; não levante poeira ou pedras e não pise a vegetação.

    Fogueiras

    Fogueiras criam os mais adversos impactos, seja visual ou ecologicamente, em qualquer prática de camping selvagem. As fogueiras reduzem a naturalidade da área e prejudicam sua aparência com pedras calcinadas, pilhas de cinzas e carvão, e madeira não totalmente queimada. Os impactos ecológicos das fogueiras incluem a destruição da vegetação; a remoção de restos de madeira, criticos para um sistema florestal saudável; perda da vegetação e compactação do solo ao redor da fogueira; e a esterilização do solo, que retarda a recuperação da vegetação.
    O melhor é não fazer fogo. Use ao invés disso um fogareiro leve de levar em mochila. Se você fizer uma fogueira:
    • Utilize uma pré-existente, ou
    • Se não existir alguma, escolha um lugar com pouca ou nenhuma vegetação, e limpe-a até encontrar terra. Um anel de pedras ao redor é desnecessário.
    • Não acrescente pedras a uma fogueira já existente.
    • Mantenha o fogo baixo.
    • Queime apenas madeira morta e seca que possa ser partida com as mãos. Deixe facões e machadinhas em casa.
    • Nunca deixe uma fogueira sem atenção. Você é responsável por uma fogueira que acaba por virar um incêndio.
    • Nunca faça uma fogueira em um dia, ou lugar, de muito vento.

    Locais de camping

    A escolha de um local de camping e como utilizá-lo é importante para a proteção do ambiente nas trilhas. Um local de camping pode deteriorar-se rapidamente, mas sua recuperação leva um tempo muito longo.

    Quando você seleciona um local de camping:

    • Utilize um local existente e em condições aceitáveis. Nesses locais, a maior parte da vegetação está desgastada, mas o humus, dejetos, folhas ou capim cobrem a maior parte do local. O solo pode estar descoberto ao redor de uma fogueira.
    • Evite locais de camping pouco utilizados. Eles estão no limiar de rápida deterioração. Nesses lugares, a vegetação está destruída apenas ao redor da fogueira ou do centro de atividades e não se vê solo erodido.
    • Evite lugares "destruídos". Eles necessitam de descanso. Nesses lugares, toda a área é de chão batido com erosão do solo, árvores danificadas, árvores mortas e raízes expostas.

    Quando acampar:

    • Utilize um fogareiro leve ao invés de uma fogueira.
    • Evite "alargar" e expandir a área de acampamento.
    • Evite "engenharias locais". Nunca aplane o local, faça trincheiras ao redor da barraca, ou construa.

    10 maneiras de evitar bolhas e pés doloridos nas caminhadas e viagens


    bolha nos pés, pesadelo de qualquer viajante
    bolha nos pés
    Muitos não dão aos pés a importância que eles merecem. Em primeiro lugar, não somos nada sem nossos pés. Sem eles não tem caminhada, não tem mochilada, não tem visual.
    Uma das coisas mais importantes para uma caminhada tranquila e prazeiroza é fazer com que seus pés estejam bem, proporcionando um excelente passeio.
    Eu tenho pés muito sensíveis e as bolhas me perseguem sempre que faço uma caminhada mais longa. Já tive que percorrer longas distâncias com bolhas incômodas e doloridas que me atormentaram durante e após a caminhada. Depois de muito pesquisar, resolvi dividir esse conhecimento com vocês. Afinal, pés saudáveis não encontram limites!
    Algumas dicas para você aproveitar melhor sua viagem/caminhada e retornar dela com os pés saudáveis:

    1) Cuidar bem dos seus pés nas vésperas é essencial
    Não force seus pés com sapatos apertados e posições desconfortáveis no trabalho. Nas vésperas de sua caminhada, planeje bem para que seus pés estejam intactos e relaxados no dia da partida. Antes de sair de casa, certifique-se de que seus pés estejam limpos e bem acomodados na sua bota/tênis.
    2) Invista numa bota/tênis confortável e de qualidade
    Dependendo do terreno, é necessário que você utilize calçados de solado mais firme, para que seus pés não fiquem se entortando pelo caminho quando você pisar em pedras, raízes e buracos. Se isso acontecer, é provável que você se canse muito mais rápido e não aprecie o passeio como poderia. Os solados firmes evitam também as torções, dores nas costas e pernas.
    3) Botas impermeáves, mas respiráveis
    Mais uma observação importante na hora de comprar a sua bota é certificar-se de que ela “respira”. Você precisa fazer o dever de casa e se informar se os modelos disponíveis ou os que você deseja são realmente respiráveis. Para isso, conte com a experiência de aventureiros mais experientes que você. Pesquise em fóruns, blogs e sites de opinião sobre os modelos que estão na sua pauta. Se o calçado não deixar seus pés respirarem, você vai ganhar bolhas e muito desconforto. Afinal, a umidade precisa sair. Os modelos atuais comumente utilizam a tecnologia Gore Tex que não deixa a umidade entrar, mas a deixa sair.
    4) Cuidado com o tamanho do calçado
    Seu calçado deve estar confortável. Isso significa que ele não pode estar justo e nem largo demais. Quando for comprar seu calçado para caminhada, leve em consideração as descidas, ocasião onde os pés são forçados para a frente. Considere também que, com o esforço, nossos pés tendem a inchar um pouco, levando o que está apertado a ficar arrochado. Mas não caia no erro de comprar um número maior. Experimente o calçado e avalie. O ideal é que seus dedos não fiquem colados no bico do calçado, evitando que você ganhe de presente algumas unhas roxas, dedos doloridos e bolhas quando for fazer descidas.
    5) Amarração
    Parece coisa boba, mas a amarração faz uma diferença muito grande na hora de evitar bolhas. É importante que seu tornozelo fique bem firme na parte de trás do calçado, evitando que escorregue para frente entrando em atrito em diversas partes do seu pé. Existem diversas maneiras diferentes de amarrar seu calçado. Veja qual a melhor para o seu caso e faça-a bem firme. Nesse vídeo explicamos 5 maneiras de amarrar sua bota.
    6) Evite meias de algodão
    As meias de algodão encharcam facilmente e seguram a umidade. Com as meias úmidas, a pele amolece e permite que a fricção cause bolhas. Então, meia de algodão para caminhadas, nem pensar!
    Você não quer meias que tenham sequer 1% de algodão. Veja aqui nosso post sobre meias para evitar bolhas e pés cansados.
    7) Abuse das meias de lã ou tecido sintético
    São as melhores. Existe atualmente uma ampla variedade de meias para todos os gostos e bolsos. Minha sugestão são as de lã merino. Elas são confortáveis, absorvem rapidamente o suor e o expelem com mais facilidade do que o algodão e alguns outros tecidos. Geralmente são meias importadas e o custo x benefício delas é excelente. Sua durabilidade é maior e são projetadas especificamente para trazer conforto aos aventureiros caminhantes. Os fabricantes nacionais comumente colocam algodão na fórmula, o que já vimos que não é legal. Até mesmo no verão, essas meias são uma boa pedida. É só você verificar na hora da compra a grossura da meia. Costumam ser classificadas como light hiker, heavy trekker, duplas, triplas e por aí vai. O fabricante também costuma indicar o tipo de uso que mais cabe àquela meia. Pesquise bem, as opções são muitas.
    8) Liners – quando usá-los
    Os liners desempenham um papel de grande importância para o pessoal que faz caminhadas mais longas e com meias mais “pesadas”. Muitas vezes as meias mais grossas irritam, ou “lixam” os pés dos montanhistas pela sua constituição. Para resolver esse problema, existem os liners, que são meias bem finas e de material que permite a evaporação muito rápida. Evitam o contato da pele com meias mais ásperas e facilitam a transpiração, expelindo a umidade para a segunda meia. É comum você tirar a bota e verificar que seu liner está seco e sua meia, molhada.
    9) Esparadrapos como prevenção
    Se você possui pés muito sensíveis ou pontos de fricção já conhecidos nos seus pés, tente isolá-los com pedaços de esparadrapo. Mas cuidado para não deixar que o exparadrapo embole ou faça um recorte em cima de um ponto de fricção. Se não, seu pesadelo será muito pior. Se você já tiver uma bolha, não use esse método pois quando extrair o esparadrapo, a pele solta virá junto, abrindo uma ferida.
    10) Pomadas e vaselina
    Algumas pessoas fazem uso de pomadas ou vaselina para evitar os pontos de atrito. Eu particularmente não gosto, mas é uma opção se você quizer fazer o teste. Mas cuidado para não lambusar os pés, pois o resultado é desastroso. Seus pés ficarão sambando dentro do calçado, criando cada vez mais problemas. Passe um pouco somente nos locais de maior atrito. Esse métdodo é mais usado por pessoas que têm bolhas entre os dedos e em locais onde o esparadrapo não cola bem.
    Se a bolha aparecer, calma!
    Se mesmo com todas essas dicas, as bolhas apareceram e ameaçam transformar seu passeio em um pesadelo, calma. Vamos ver algumas coisas que você pode fazer para minimizar o problema:
    - Não estoure a bolha de qualqer maneira. O ideal é que você tenha agulha fina esterilizada ou esterilize-a na hora, furando a bolha e costurando-a com uma linha, também fina, para que a pele não cole e se encha de fluido novamente.
    - Jamais tire a pele solta. Você criará uma ferida extremamente dolorida e com maior risco de contaminação.
    - As pomadas ajudam na cicatrização mas não curam de um minuto para outro. Então, em alguns casos, é melhor voltar antes da hora do que sofrer por dias a fio.
    - Se voltar não for uma opção, coloque um pequeno pedaço de gaze exatamente em cima de onde a bolha se formou e isole tudo com um pedaço grande de esparadrapo. Certifique-se de que o esparadrapo não vai soltar no local de fricção e que não haja costuras e dobras nele. Isole uma área bem maior do que a área da bolha.
    - Se a bolha estiver suja de lama ou algo semelhante, desinfete-a antes de fazer qualquer curativo e limpe seu calçado por dentro antes de voltar a caminhar.

    Seus pés precisam de descanso!
    Lembre-se que durante a caminhada, especialmente as mais longas, você precisa parar algumas vezes para tomar fôlego, beber um pouco dágua e recuperar as energias. Seus pés também precisam. Nas suas paradas para descanso, tire o calçado, deixe os pés respirar e coloque suas pernas para cima. Ao invés de colocar a mochila como encosto para a cabeça, coloque-a como suporte para que suas pernas fiquem um pouco mais elevadas do que o resto do seu corpo, fazendo o sangue circular melhor pelo seu corpo, reestablecendo o equilíbrio e facilitando o descanso.
    Com essas dicas, espero que você se livre definitivamente das bolhas e faça boas viagens!

    Trinta dicas para você acampar sem problemas nem micos


    Acampamento
    Acampamento
    Se você está pretendendo acampar e não tem experiência no assunto, leia nossas dicas de acampamento e se previna contra as furadas e os micos. Neste artigo listamos 30 dicas rápidas que todo mundo deve saber antes de fazer seus primeiros acampamentos.
    A barraca
    1. Sua primeira preocupação será, claro, a barraca. Considere tamanhos, marcas, modelos, clima e local do camping.
    a) Marcas e modelos: É sempre aconselhável comprar uma barraca impermeável para evitar surpresas. As barracas Capri, dessas simples que a gente compra no supermercado, não são impermeáveis. Para usá-las, é aconselhável montar um gazebo por cima dela como precaução, ou usá-las dentro de algum ambiente como ginásios e salas. Mas se vier chuva de vento, nem o gazebo salva. O fundo das barracas Capri costuma ser mais resistente, mas não segura chuva forte.
    Barraca Capri. Boa para ambientes cobertos. Não resistente à chuva
    Barraca Capri. Boa para ambientes cobertos. Não resistente à chuva
    Barracas com avanços são bem mais úteis, especialmente em caso de chuvas. Nos avanços você pode deixar sapatos, alguns equipamentos sujos e até cozinhar neles quando estiver chovendo. Outra coisa importante a considerar são os mosquiteiros. Eles são super importantes para garantir um sono tranquilo, especialmente no verão. Antes de comprar sua barraca, leia opiniões. No fórum Mochileiros.com há uma seção só sobre barracas. Existem barracas que são auto-portantes e as que não são. As primeiras você monta e elas ficam perfeitas mesmo sem estar fixadas no chão. Isso te dá boa flexibilidade para trocar o local da barraca, sem ter que desmontá-la, caso perceba que o local que escolheu não é legal. As que não são auto-portantes, têm como desvantagem o oposto, mas geralmente são mais leves pois precisam de menos estrutura.
     Barraca Super Esquilo da Trilhas & Rumos, com avanço. Temos uma e aprovamos!
    Barraca Super Esquilo da Trilhas & Rumos, auto-portante e com avanço. Temos uma e aprovamos!
    b) Tamanho: Em uma barraca para 2 pessoas, por exemplo, se acomodam bem 2 pessoas sem mochilas. Se você quer ficar bem confortável numa barraca com a(o) namorada(o), por exemplo, o ideal é uma de 3-4 lugares. Outro fator que vai influenciar na decisão do tamanho da barraca é o tipo de acampamento que você vai ficar. Se tiver que carregar a barraca nas costas por longos períodos, considere as mais leves, mesmo que em detrimento do conforto. Mas se o carro/ônibus chega pertinho do camping ou você vai carregar a barraca por períodos curtos, opte pelas mais confortáveis.
    c) Clima: Para locais mais quentes, o ideal são as barracas maiores e com maior ventilação permitindo maior circulação de ar. Para climas frios, as menores são mais aconselháveis pois conservam mais a temperatura do corpo. Não se esqueça de considerar fatores como possibilidade e intensidade de chuvas e ventos. Para locais com muito vento, por exemplo, não é aconselhável usar barracas com somente uma vareta pois são muito menos estáveis.
    Nossa barraca Nepal da marca Azteq. Excelente para o inverno
    Nossa barraca Nepal da marca Azteq. Excelente para o inverno (Não é auto-portante).
    d) Se a sua barraca tiver sobreteto, lembre-se que ele não pode ficar colado à parte interna da barraca. Uma montagem bem feita tende a eliminar esse problema. Essa precaução evita a condensação da respiração evitando também que você seja acordado com vários pingos d’água durante a noite. De qualquer maneira, uma dica é usar bolas (bexigas) de ar, essas de aniversário de criança. Encha-as um pouco e coloque entre a parte interna e o sobreteto da barraca. Mesmo em caso de muito frio, lembre-se, a sua respiração precisa sair para não condensar.
    OBS: Além das barracas comuns, você pode acampar com bivaques (abrigos compactos para 1 pessoa), redes ou montar um abrigo com lona. Não vamos falar de nenhuma dessas opções pois não temos experiência com elas.
    2. Na hora de montar sua barraca, procure locais limpos e tire todas as pedrinhas e galhinhos que possam danificar o material de fundo da sua barraca. Tente deixar a superfície o mais plana e limpa quanto possível.
    3. Antes de sair de viagem, monte sua barraca em casa. Primeiro para aprender a montá-la e não passar perrengue no camping. Segundo para ver se a barraca está ok, não tem furo, rasgo e se todas as partes estão lá.
    Lonas:
    4. Não use lona por baixo da barraca. Mesmo não deixando pedaços para fora, o risco da água empoçar por cima da lona em caso de chuva é alto. Se isso acontecer, pode ser que a impermeabilização do chão da sua barraca não aguente segurar a água empoçada ali. Mas se você for acampar em ginásios e salas, as lonas são bem vindas.
    5. Se você tem uma barraca pequena mas quer um pouco mais de espaço, leve uma lona plástica, corda e espeques. Com isso você pode montar uma cobertura para sua barraca além de ter espaço para outras tarefas como cozinhar, sem se molhar em caso de chuva. Se conseguir fazer uma corbertura em L ou U, melhor ainda. Faça-a contra o vento, o que vai facilitar na hora de cozinhar.
    6. Jamais, nunca, nunquinha mesmo use lona por cima da barraca em contato direto com o teto com a intenção de protegê-la contra chuva. A lona vai superaquecer a barraca e fazer a condensação da sua respiração molhar tudo por dentro. A lona por cima só pode ser útil caso você consiga esticá-la presa ou amarrada em árvores ou postes sem que ela tenha qualquer tipo de contato com a sua barraca.
    Colchões, isolantes térmicos e sacos de dormir:
    7. Os colchões infláveis são muito confortáveis e ótimos para tempos frios pois são excelentes isolantes térmicos. Mas cuidado! Os colchões infláveis podem ser verdadeiros vilões no verão, especialmente se houver mais de uma pessoa na barraca. Eles esquentam! Outra coisa que você não pode esquecer: antes da viagem, pelamordedeus encha seu colchão e verifique se tem furos. Imagina só o trastorno se você descobre isso já no camping?
    8. Se não for levar colchão, o isolante térmico é imprescindível. Existem isolantes de EVA (de várias espessuras) e os isolantes infláveis (diferentes dos colchões) que são mais caros, mas também mais confortáveis.
    Nosso isolante térmico aluminizado de EVA
    Nosso isolante térmico aluminizado de EVA
    9. Os sacos de dormir não são imprescindíveis em temperaturas mais amenas. Há no mercado sacos de dormir para tempos mais quentes. No inverno, no entanto, você precisa sim do saco de dormir. Acredite! Especialmente se for acampar em montanha e só conseguir chegar no acampamento através de trilha longa. Há no mercado algumas boas opções de sacos de dormir relativamente leves e que esquentam bem. Para camping no inverno, se o frio for intenso demais e o saco de dormir não estiver dando conta, esquente água e coloque em uma garrafa pet ou recipiente do gênero e deixe-o no saco minutos antes de você entrar nele. Feche o saco para que ele retenha o calor.
    O local:
    10. Estude o local.
    a) Veja se há lugares mais elevados onde você possa montar sua barraca.
    b) Evite depressões e buracos que possam ficar alagados.
    c) Cuidado com o caminho da água no caso de chuva. Evite possíveis locais de escoamento.
    d) Se for montar sua barraca embaixo de uma árvore, evite as fruteiras e árvores que produzam pinhas e similares. Se uma fruta ou uma pinha cair do pé, pode fazer um estrago tanto na barraca quanto na sua cabeça. As árvores também atraem pássaros, que certamente farão suas necessidades em cima da sua barraca! Que tal?
    e) Evite acampar perto de poças ou locais onde a água possa empoçar, especialmente se for caminho de carros e carroças.


    f) Procure saber onde nasce o sol e qual local ele atinge mais tarde. Especialmente se você não gostar de acordar cedo. Procure montar sua barraca de maneira que você fique de costas para o local onde o sol nasce.
    g) A direção do vento também é um fator importante a considerar. Ele pode refrescar sua barraca num ambiente quente ou pode destruí-la se for forte demais.
    h) Evite montar a barraca em desníveis importantes para que você não fique escorregando durante a noite para um lado ou outro ou para baixo. Dormir nivelado é essencial para um bom descanso.
    i) Cuidado com os ninhos de animais zangadinhos como o Quero-Quero. Você não vai querer levar um ‘pega’ de um bichinho desses…
    j) Cuidado também com locais onde houver cavalos, especialmente na época seca. Você pode pegar os famosos micuins (carrapatinhos) ou carrapatos-estrela e passar o passeio inteiro se coçando.
    Quero-quero no camping
    Quero-quero vigiando seus ninhos no gramado do camping que ficamos em Tiradentes
    Escolhendo o camping ideal
    11. Se você for acampar em um camping estruturado na cidade, campo ou praia, opte por locais que tenham cozinha disponível para os campistas. A maioria dos campings bem estruturados oferece fogão, geladeira, mesa, panelas, talheres e afins. Também essencial é escolher um que tenha boa estrutura de banheiros, especialmente se a época escolhida para a sua viagem for alta temporada.
    12. Muito importante também é montar sua barraca perto de pontos de luz e água, quando disponíveis. Pode poupar trabalho e trazer mais comodidade.
    Ponto de luz e água perto da barraca são importantes
    Ponto de luz e água perto da barraca são importantes
    Se for fazer camping selvagem, aí não dá pra escolher estrutura, certo? ;)
    Outras dicas gerais:
    13. Se for fazer camping selvagem e seu carro for bem perto do local, leve uma caixa térmica para deixar seus alimentos. Dessa forma eles ficam protegidos do calor, umidade e de animais que costumam rondar o local. Nunca jogue restos de comida ou deixe-os perto da barraca. Com certeza o cheiro atrairá algum habitante indesejado.
    14. Cuidado com as fogueiras. Elas podem ser extremamente perigosas se forem feitas de qualquer maneira. Isole bem a área e cuidado com seus equipamentos. Respeite os locais onde as fogueiras são proibidas.
    15. Nunca, mas nunca mesmo deixe a sua barraca aberta. Você pode receber visitas indesejáveis de mosquitos, insetos intrometidos e animais peçonhentos. Se eles entrarem na sua barraca, podem causar um acidente grave e estragar sua viagem. Se for ficar muito tempo longe da barraca, o ideal é que você prenda os zíperes com um cadeado para se certificar que nenhum bobão vai roubar alguma de suas coisas.
    16. Prenda bem sua barraca com os espeques e as cordinhas. Locais muito abertos e altos geralmente sofrem incidência de vento forte. Se a barraca estiver um pouco solta, o vento pode levá-la embora junto com o que estiver dentro.
    17. Nunca deixe objetos de valor ou dinheiro em sua barraca na sua ausência. Nunca mesmo!
    18. Quando for sair de perto da barraca por longos períodos ou para locais mais distantes, use sacos estanques para deixar seus pertences mais importantes. Até mesmo saquinhos plásticos podem salvar sua noite. Esse conselho vale muito especialmente no verão, época de fortes pancadas de chuva repentinas.
    19. Alguns campings oferecem boa estrutura para seus campistas. Procure informações do camping que você deseja ficar para não entrar em furada, especialmente se há mais de um banheiro disponível no local.
    20. Se você for levar algum aparelho eletrônico que necessite de tomada, verifique sempre a voltagem antes.
    21. Evite acampar às margens de rios e cachoeiras. Eles são traiçoeiros e podem causar muitos problemas.
    22. Em caso de camping selvagem, escolha um local para suas necessidades fisiológicas que seja longe da sua barraca e longe de água (rios, lagos e cachoeiras). Ah, e não se esqueça de enterrar seus dejetos.
    23. Leve sempre saquinhos plásticos que sirvam de lixeira e traga tudo de volta. Nunca deixe lixo na natureza.
    24. Nunca fume dentro da barraca. O cigarro pode acidentalmente causar furos ou estragar a impermeabilização.
    25. Nunca guarde sua barraca suja ou molhada. Se você não tiver como limpar sua barraca no local antes de guardá-la, faça isso quando chegar em casa. A sujeira mofa e dá mau cheiro, além de estragar o material e a impermeabilização.
    26. Leve fitas adesivas tipo ducktape (aquelas fitas largas prateadas) para o caso de imprevistos com o material da barraca. Elas são excelentes para consertar rasgos, puídos e problemas do gênero.
    27. Nunca cozinhe dentro da barraca ou acenda qualquer equipamento a gás ou similares. Prefira sempre as lanternas e lampiões a bateria/pilha. As lanternas de cabeça são muito úteis num acampamento.
    28. Se for fazer camping selvagem e não quiser ter muito trabalho com comida, sem abrir mão de boas refeições, opte por comida liofilizada. Há boas opções disponíveis, inclusive em lojas online, incluindo pratos e combinações diversas e saborosas. Se quiser saber mais sobre comida liofilizada, veja nosso artigo sobre duas opções de comida liofilizada que experimentamos da Liofoods.
    29. Monte uma listinha com itens que não se pode esquecer e vá atualizando sua listinha a cada viagem, incluindo itens importantes e excluindo os irrelevantes. Aqui sugerimos uma lista de itens para acampamento, mas cada pessoa possui opiniões e necessidades diferentes. Então, monte a sua com base na sua experiência e preferências.
    30. Sempre seja gentil e prestativo com as pessoas. O ambiente é sempre muito importante em um camping. Por isso, não esquente a paciência dos outros campistas com música alta, gritaria e babaquices. Acampamento bom é acampamento tranquilo! Tenha educação e bons modos!

    Dezessete dicas de como começar a praticar montanhismo

    Nesse post juntamos dezessete dicas de como começar a praticar montanhismo
    Abaixo vamos listar os equipamentos e roupas que você vai precisar para iniciar na prática do montanhismo (em caminhadas de 1 dia).
    Equipamentos: mochila, reservatório para água
    Vestuário e calçados: uma boa bota ou tênis, boas meias, calça ou bermuda que não prendam seus movimentos, boné / chapéu

    Itens para levar na mochila: lanche, água, kit de primeiros socorros, remédios que você faz uso, protetor solar e repelente (dependendo do local)
    Com a lista de materiais e roupas para sua caminhada já nas mãos, você precisa observar os seguintes aspectos antes de iniciar sua vida nas montanhas:
    1- Saúde. Em primeiro lugar, você precisa se certificar de que está tudo bem com a sua saúde. E se no dia planejado para uma trilha você estiver gripado, com dor ou indisposto, não se arrisque. Acredite, você vai perder muito mais do que ganhar. Deixe a aventura para um outro dia quando seu organismo estiver disposto a render o que você precisa. Além disso, vá dormir cedo! É importante uma boa noite de oito horas de sono. Na véspera, alimentação leve e nada de álcool. Acredite, faz diferença. Hidrate-se bastante tanto na véspera quanto no dia. Seu corpo vai agradecer.
    2- Condicionamento. É importante que você esteja em forma para poder completar a aventura e desfrutar do passeio sem desanimar. Se não está, programe-se para praticar um pouco de atividade física e poder encarar uma montanha com mais disposição e segurança. Caminhar na montanha é muito diferente de caminhar na cidade – o solo é irregular, cheio de pedras, buracos, raízes e obstáculos.
    3- Não ande sozinho nas trilhas. É sempre bom ter uma companhia que possa ajudar na hora de uma enrrascada. Uma boa idéia é procurar o Centro Excursionista mais próximo e participar das atividades que eles promovem. Um pé torcido na montanha pode matar se você estiver em local muito distante de áreas habitadas. Celular? Normalmente não há sinal nesses locais.
    4- Equipamento mínimo. Para fazer uma trilha com segurança e um mínimo de conforto, você precisa ter alguns equipamentos essenciais: * mochila confortável, segura e adequada para o que você vai carregar * Bota / tênis com solado bom (solado gasto e liso de jeito nenhum!). Dê sempre preferência às botas, que dão mais proteção evitando torções e picadas de bichos peçonhentos.
    5- Conheça seus equipamentos. Nunca vá para uma trilha ou acampamento selvagem sem antes testar seus equipamentos. Imagine que você está acampando numa montanha no inverno e vai estrear seu fogareiro novo. De repente você descobre que ele não está funcionando. Sem ele não tem comida, chá, chocolate quente…. então não se esqueça de que TUDO precisa ser testado com antecedência.
    6- O equipamento certo para você. Cada pessoa tem suas prioridades e manias. E por isso cada um gosta de um tipo de equipamento, uma marca, um material. Pesquise sobre os itens que você precisa, compare opiniões, leia relatos e experiências e compre o que for mais confortável e interessante para você.
    7- Planejamento. É essencial. Jamais vá a lugar algum na montanha sem uma noção de como é, onde é e o que você vai encontrar por lá. Hoje em dia há muita informação na Internet em blogs, canais de vídeo e fóruns sobre o assunto. Se você não achar online as informações sobre seu destino, pergunte a amigos ou conhecidos que já foram. Aqui mesmo no Viagens e Andanças há alguns relatos que poderão ajudar.
    8- Não seja imprudente. Jamais arrisque sua vida com atos impensados, vontade de aparecer ou de provar que é melhor e chegou mais longe. Seja prudente e volte para casa vivo e intacto.
    9- Espere pelo dia certo. Não se precipite. Se você marcou para fazer uma trilha e o tempo não está bom e nem favorável, cancele, reprograme. É melhor você adiar do que nunca mais poder ir.
    10- Espírito aventureiro. Se você não tem espírito aventureiro e respeito pela natureza, o montanhismo não é para você. O espírito aventureiro é o que nos faz sempre voltar para uma próxima trilha com a mesma paixão e vontade. Respeito pela natureza faz você trazer de volta todo o seu lixo.
    11- Conheça seus limites. Se você não aguenta, pare. Se cansou, descanse. Se está exaurido, volte. Respeite seu corpo e seu limite.
    12- Peso da mochila. Não abuse do peso da mochila, especialmente nas primeiras caminhadas. Acostume-se com elas primeiro, em trilhas rápidas e vá aumentando aos poucos a dificuldade / tempo nas trilhas e peso da mochila.
    13- Avise a alguém onde você vai. Nunca saia de casa sem antes informar a alguém o seu destino. Caso aconteça um acidente e você não consiga voltar para casa, será mais fácil achá-lo e socorrê-lo.
    14- Amacie sua bota / tênis. O mesmo que falei sobre os equipamentos vale para seu calçado. Jamais use um calçado totalmente novo numa caminhada. Teste antes, procure amaciá-lo, acostumar-se com ele para evitar bolhas (veja como evitar bolhas nos pés) e tendinites.
    15- Faça uma lista com todos os itens. Faça uma lista antes de sair de casa e certifique-se de que não deixou nada importante para trás. Veja nossas dicas e baixe uma planilha com uma lista dos itens que você deve levar num acampamento.
    16- Respeite as pessoas e os locais e suas regras. Evite som alto, nao jogue lixo no mato, não pise nos pertences alheios, seja cordial, respeitoso e prestativo. Na montanha todo mundo se ajuda.
    17- Não consuma bebidas alcoólicas na montanha. Perigo! A ilusão de que o álcool aquece pode matar por hipotermia (ele expulsa o calor dos órgão internos e dá a falsa sensação de calor na pele), se não matar por imprudências provocadas pela bebedeira. Para aquecer, use sopas, chocolate quente, capuccino. Álccol, não. Saiba que em alguns parques nacionais é proibido ingressar portando bebidas alcoólicas, que são apreendidas na entrada.
    Com tudo isso em mente, planeje-se e tenha uma boa aventura! Depois conte aqui como foi!